“Este livro é sobre violência política contra mulheres, contra mim, contra minha filha, contra minhas companheiras de luta”. É assim que a vereadora de Belo Horizonte Iza Lourença (Psol) apresenta Não Está Tudo Bem: como permanecer no parlamento quando a democracia brasileira vai de mal a pior, livro que será lançado neste domingo (5), às 14h, no espaço de cultura Casa Coragem.
A publicação nasce de uma experiência marcada por medo, ameaças e resistência. Durante seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Iza foi vítima de ameaças de morte e estupro, em um caso que se tornou símbolo dos impactos da violência política de gênero contra mulheres eleitas.
No livro, a parlamentar parte da própria trajetória, mas amplia o debate para discutir como esses ataques fazem parte de uma estrutura que busca afastar mulheres, especialmente mulheres negras e de esquerda, dos espaços de decisão política.
Forma de elaboração
“Escrevo para dividir com você a violência que me toma a alma. Escrevo para chamar a atenção de pessoas que também têm sangue nas veias, se indignam e acreditam que podemos resistir às distopias”, afirma Iza na apresentação da obra.
Segundo a vereadora, a escrita também foi uma forma de elaborar o período vivido por ela e pela filha durante quase um ano de insegurança.
“Senti a necessidade de escrever para elaborar tudo o que eu e minha filha passamos, durante quase um ano em que vivemos o terror, o medo e a insegurança. A condenação do responsável pelos ataques foi uma vitória contra a violência política de gênero no país, porque não há democracia se as mulheres não conseguem exercer seus mandatos livremente”, destaca.
A obra conta com depoimentos de nomes como Áurea Carolina, Manuela d’Ávila e Marlise Matos, que ressaltam a importância do relato como documento político e histórico. Para Áurea Carolina, o livro ajuda a nomear dores e medos enfrentados por mulheres na política.
“Ela escreve para que sejamos acolhidas, protegidas e para que os agressores sejam responsabilizados”, afirma.
Já Manuela d’Ávila avalia que a obra ultrapassa o relato individual. “É um registro do tempo que estamos vivendo e um chamado para que aquilo que hoje acontece não seja naturalizado”, diz.
Resistência no parlamento
Nascida e criada no Barreiro, Iza Lourença tem 32 anos, é mulher negra, mãe e bissexual. Filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), foi reeleita vereadora em 2024 como a terceira mais votada da capital mineira.
Com trajetória ligada aos direitos humanos, juventude e justiça socioambiental, Lourença também foi bilheteira do metrô e é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A parlamentar é coautora das obras Ocupação William Rosa: histórias e vidas que se cruzam na luta pela moradia, e Feminismo da maiorias e Juventude Negra Viva e Livre.
O lançamento de Não Está Tudo Bem: como permanecer no parlamento quando a democracia brasileira vai de mal a pior acontece no domingo (5), às 14h, na Casa Coragem. O livro tem selo editorial E se fosse você? e está em pré-venda.
Serviço
Lançamento do livro: Não Está Tudo Bem: como permanecer no parlamento quando a democracia brasileira vai de mal a pior
Domingo (5), às 14h
Local: Casa Coragem, Rua Pouso Alegre, 1257 – Bairro: Floresta/ BH-MG
Pré-venda: Não Está Tudo Bem: acesse o link aqui.
