O fortalecimento da parceria econômica entre o Brasil e a União Europeia (UE) ganhou novo impulso durante o II Fórum de Investimentos Brasil-UE, que colocou no centro das discussões as oportunidades abertas pelo Acordo Mercosul-UE para ampliar investimentos e acelerar a transição para uma indústria mais inovadora e sustentável. O acordo, que aprofunda a integração econômica entre os dois blocos, não somente desagrava a parte comercial, mas cria possibilidades mais profundas de integração econômica.
O Fórum, realizado dia 23 de junho em Brasília (DF), foi organizado pela ApexBrasil em parceria com a UE e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e reuniu representantes dos governos, lideranças empresariais e especialistas da área econômica. O evento abordou temas como transição energética, infraestrutura digital, economia de dados, minerais críticos e cadeias de valor sustentáveis, todos eles alinhados ao Global Gateway, programa da UE voltado à promoção de investimentos em infraestrutura sustentável e inovação. Para o Brasil, a iniciativa amplia as oportunidades de cooperação e atração de investimentos em setores estratégicos.
José Pio Borges, presidente do conselho curador do Cebri, destacou os avanços concretos da parceria entre os blocos. “O comissário da UE veio ao Brasil, visitou diversos estados, verificou as potencialidades de investimentos que existem e diversas iniciativas foram apresentadas no Fórum, sendo que boa parte desses investimentos será no Norte e Nordeste”, afirma.
O comissário europeu para parcerias internacionais, Jozef Síkela, reforça que a parceria entre os blocos traz benefícios para os dois lados. “Impacto duradouro e prioridades compartilhadas vão tornar a parceria entre UE e Brasil ainda mais forte. Vamos transformar ideias em oportunidades e investimentos em crescimento, segurança e empregos”, frisa Síkela.
O Acordo Mercosul-UE criará um mercado de aproximadamente 720 milhões de consumidores, com PIB combinado de cerca de US$ 22 trilhões e um fluxo comercial de aproximadamente US$ 100 bilhões por ano, consolidando uma das parcerias econômicas mais estratégicas para o Brasil.
A aproximação econômica com a UE ocorre em um momento de fortalecimento do ambiente de negócios no Brasil. Nos últimos anos, o país retomou o crescimento econômico, reduziu os índices de desemprego, aprovou a reforma tributária, considerada um marco para a modernização do sistema, e deixou o Mapa da Fome da ONU. Além disso, avançou na agenda de sustentabilidade, com queda acumulada de cerca de 50% do desmatamento na Amazônia em relação a 2022, segundo o Ministério do Meio Ambiente.
Esse contexto de recuperação econômica, social e ambiental fortalece a confiança de investidores e parceiros comerciais internacionais. Nesse contexto, a ApexBrasil desempenha um papel estratégico ao transformar esse ambiente favorável em novas oportunidades de exportação e atração de investimentos.
Transição energética aproxima Brasil e União Europeia
Um dos principais temas do II Fórum foi a transição energética, considerada uma das agendas de maior convergência entre Brasil e UE. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil reúne importantes vantagens competitivas nesse processo, já que mais de 50% da matriz energética brasileira é composta por fontes renováveis, com destaque para a produção de biocombustíveis de aproximadamente 15%, bem acima da média mundial.
Além dessa liderança, o Brasil tem potencial para o desenvolvimento do hidrogênio de baixo carbono, disponibilidade de minerais críticos e uma das maiores biodiversidades do planeta, fatores que posicionam o país como parceiro estratégico da UE na agenda de descarbonização. Durante a abertura do II Fórum, foi destacado que a nova indústria brasileira tem a ambição de ser mais exportadora, competitiva, produtiva e sustentável. Também foi ressaltado que a sustentabilidade deve ser o eixo do projeto de desenvolvimento econômico do país, considerando os diferenciais competitivos do Brasil, como a ampla oferta de fontes renováveis de energia, a abundância de recursos hídricos e o compromisso do governo com a redução do desmatamento.
“Estou convencida de que este acordo também será bom para o meio ambiente e o clima, porque foca na sustentabilidade de todos os nossos empreendimentos. Esta é uma tendência muito forte na Europa e penso que o Brasil pode liderar mundialmente com uma legislação verde e sustentável”, destaca a embaixadora da UE no Brasil, Marian Schuegraf.
Acordo Mercosul-UE amplia oportunidades para exportações
A abertura comercial decorrente do Acordo também representa um dos principais ganhos para as empresas brasileiras. Ao longo da implementação do tratado, 97% dos bens industriais e 77% dos produtos agrícolas exportados pelo Mercosul para a UE passarão a contar com redução ou até eliminação das tarifas de importação.
As oportunidades abrangem tanto o agronegócio quanto a indústria. Produtos como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, milho, mel e suco de laranja terão acesso ampliado ao mercado europeu.
Na indústria, segmentos como máquinas e equipamentos, motores elétricos, peças industriais, madeira, couros, produtos químicos e diversos manufaturados poderão se beneficiar da redução de tarifas de importação.
Estimativas da ApexBrasil indicam potencial de até US$ 7 bilhões em novas exportações brasileiras no curto prazo após a entrada em vigor do tratado, prevista para o segundo semestre de 2026.
A relação comercial entre Brasil e UE já vinha se fortalecendo antes mesmo da formalização do acordo. Em 2024, as exportações brasileiras para o bloco europeu cresceram 10% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 48,3 bilhões e consolidando a UE como um dos principais destinos dos produtos brasileiros.
Já em 2025, o Brasil recebeu cerca de US$ 70 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e tensões geopolíticas. Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, esse desempenho reflete a estratégia adotada pelo país de ampliar o diálogo e a integração com mercados internacionais. “Isso não é por acaso. É resultado de uma decisão acertada sobre o caminho que o país escolheu trilhar, o do entendimento, da negociação e da abertura”, afirmou.
Esse desempenho colocou o Brasil na 14ª posição entre os maiores fornecedores do mercado europeu e manteve o país na liderança das exportações de café não torrado e farelo de soja para o bloco, indicando uma ampliação da presença brasileira na União Europeia.
Estudos da ApexBrasil orientam empresas brasileiras
Para apoiar as empresas brasileiras na identificação de oportunidades de exportação, a ApexBrasil apresentou, durante o Fórum, dois estudos estratégicos elaborados no início deste ano.
O primeiro deles, “Oportunidades de Exportação com o Acordo Mercosul-UE”, identifica 543 oportunidades de exportação beneficiadas pela redução ou eliminação gradual das tarifas de importação entre os dois blocos. O estudo mapeia mercados com potencial para produtos brasileiros em setores como máquinas e equipamentos, produtos químicos, alimentos, artigos manufaturados e outros segmentos com perspectivas de expansão nos países da União Europeia.
Já o estudo “Perfil de Comércio e Investimentos” reúne um panorama detalhado das relações econômicas entre o Brasil e os 27 países do bloco europeu. O material aponta 6.740 oportunidades de exportação em setores estratégicos, com destaque para combustíveis minerais, máquinas e equipamentos de transporte e produtos manufaturados.
Esses estudos complementam a atuação da ApexBrasil, que mantém 32 projetos setoriais voltados ao mercado europeu, abrangendo segmentos como agronegócio, alimentos e bebidas, casa e construção, economia criativa, moda, máquinas e equipamentos, saúde, tecnologia da informação e iniciativas multissetoriais.
Ao reunir governo, empresas e especialistas, o II Fórum de Investimentos Brasil-UE evidenciou que a implementação do Acordo Mercosul-UE vai muito além da abertura comercial. A combinação entre investimentos, inovação, transição energética e inteligência de mercado cria novas oportunidades para ampliar a competitividade da economia brasileira.
[Conteúdo patrocinado pela ApexBrasil]
