A comunidade de Xambá, em Olinda, recebe neste sábado (4), a primeira edição do Café com Bongarbit, encontro gratuito que propõe um diálogo entre as tradições da cultura popular pernambucana e as tecnologias digitais. A programação acontece das 16 horas às 20 horas, no Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar – Guitinho da Xambá, localizado na Rua Ieda, nº 103, no bairro São Benedito. A estreia reúne musicistas de grupos autorais do próprio território, como Grupo Bongar, Orí, Xamba das Yabás, Mixidinho da Xambá, Pirão Bateu e A Lama do Coco Verde.
O evento marca o início de uma programação mensal que será realizada aos sábados, entre julho e dezembro, integrando as atividades da Escola Bongarbit de Luteria de Instrumentos Musicais Orgânicos e Digitais da Xambá. A proposta é transformar a tradicional sambada em um espaço de experimentação artística, reunindo tambores, instrumentos eletrônicos, ancestralidade e criação coletiva em uma mesma vivência aberta ao público.
Além das apresentações musicais, a estreia também apresenta oficialmente a Escola de Luteria da Xambá e alguns dos instrumentos desenvolvidos dentro do projeto, como o Agbau, os Botões Falantes e o Engome Adubado. Os participantes da formação também estarão presentes, convidando visitantes a conhecer, experimentar e interagir com as criações desenvolvidas na comunidade.
Idealizador do projeto e liderança do Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar, Thúlio Xambá destaca que a sambada vai além do espetáculo artístico e permanece como um importante espaço de transmissão de saberes.
“Mais do que uma apresentação artística, a sambada é um espaço de encontro entre mestres, mestras, artistas e público, onde o conhecimento é transmitido pela experiência compartilhada, fortalecendo vínculos de pertencimento, memória e continuidade cultural. Acreditamos que, ao longo das gerações, as sambadas têm sido fundamentais para a continuidade das tradições afro-indígenas e populares que constituem a identidade cultural de Pernambuco”, afirma.
Segundo ele, a proposta da sambada digital amplia essa tradição ao incorporar novas possibilidades sonoras sem romper com suas raízes. “A partir do espírito coletivo, participativo e celebrativo das sambadas tradicionais, o Café com Bongarbit apresenta as invenções dos instrumentos orgânico-digitais criados no território da Xambá. O encontro possibilita uma experiência que conecta ancestralidade e inovação. A sambada digital é um espaço onde tambores, circuitos eletrônicos, saberes quilombolas e criação tecnológica existem num mesmo território, reafirmando que a tecnologia também é desenvolvida pelas referências culturais afro-brasileiras e pelos conhecimentos produzidos dentro da própria comunidade”, ressalta.
Tradicional nas manifestações culturais pernambucanas, a sambada reúne música, dança, poesia, celebração e convivência comunitária, sendo presença marcante em expressões como o coco, o maracatu rural e o cavalo-marinho. O Café com Bongarbit parte desse formato para criar um ambiente em que tradição e inovação caminham lado a lado.
A Escola de Luteria de Instrumentos Musicais Orgânicos e Digitais da Xambá nasceu da parceria entre o Bongarbit e o Instituto Fab Lab Rec. O projeto funciona como um laboratório de criação cultural e tecnológica, onde elementos ancestrais da cultura afro-brasileira, como tambores, cabaças e práticas percussivas, são combinados com fabricação digital e experimentação sonora para desenvolver novos instrumentos musicais.
O projeto é realizado pelo Bongarbit em parceria com o Instituto Fab Lab Rec, com apoio do Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar – Guitinho da Xambá e patrocínio da Transpetro, por meio do Ministério da Cultura e do Programa Rouanet Nordeste.uiar e Williams Sant’Anna, profissionais com trajetória nas áreas de direção, dramaturgia, produção, pesquisa e gestão cultural.
