A Editora Expressão Popular, em parceria com o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, acaba de lançar o livro “Dicionário do Socialismo com Características Chinesas”. A obra foi organizada por um grupo de pesquisadores do Brasil e da Argentina com décadas de estudo sobre a China contemporânea e reúne mais de 70 pesquisadores sobre o tema, e sistematiza o vocabulário político, econômico e histórico indispensável para quem quer ir além de uma análise superficial.
Com 312 páginas, a obra apresenta verbetes que percorrem conceitos centrais do socialismo chinês — da Longa Marcha ao projeto da Nova Rota da Seda, do marxismo-leninismo à teoria de Xi Jinping para a nova era — fornecendo ao leitor uma visão panorâmica e referências para o aprofundamento em cada tema.
O prefácio é assinado pelo historiador indiano Vijay Prashad, diretor do Instituto Tricontinental. O livro é organizado por Diego Pautasso, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Javier Vadell, professor da PUC-Minas; Julián Bokser, pesquisador do Instituto Tricontinental em Buenos Aires; e Miguel Enrique Stédile, doutor em História pela UFRGS e integrante da coordenação do Instituto Tricontinental.
Socialismo à chinesa
A proposta do dicionário parte da ideia de que a experiência chinesa produziu categorias próprias dentro da história do socialismo. A Revolução Chinesa, em 1949, inaugurou uma trajetória singular, marcada pela adaptação do marxismo à realidade do país, pela política de Reforma e Abertura conduzida por Deng Xiaoping e por um processo de desenvolvimento que retirou centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema.
Para compreender esse percurso, segundo os organizadores, é preciso conhecer os conceitos, eventos históricos e fóruns políticos que moldam a República Popular da China. Diego Pautasso afirma que o lançamento do dicionário dialoga com o interesse crescente pela China no meio acadêmico. “É um país com uma longa história e uma cultura bem diferenciada da ocidental. Porém, depois da vitória da Revolução em 1949, formulou novos conceitos que precisam ser explicados mais detalhadamente, como ‘Grande Salto Adiante’ e ‘Nova Rota da Seda’”, afirma.
Segundo o cientista político, a publicação reúne “100 verbetes longos, que tanto servem para esclarecer as dúvidas das pessoas como também como instrumentos de pesquisa, e têm até referências bibliográficas”.
