Durante conferência de imprensa nesta terça-feira (7), a China voltou a defender a suspensão das sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela e afirmou que continuará ampliando a assistência ao país após o terremoto. Em resposta ao Brasil de Fato, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, reforçou a posição de Pequim de que as restrições dificultam os esforços de recuperação.
“Instamos os Estados Unidos a suspender as sanções unilaterais ilegais contra a Venezuela para criar condições favoráveis aos trabalhos de reconstrução pós-desastre. Esperamos que a comunidade internacional fortaleça a coordenação e a cooperação e continue prestando assistência ao governo e ao povo venezuelanos para que superem esse desastre e reconstruam suas casas o quanto antes”, afirmou.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou a manutenção das medidas e afirmou que elas criam obstáculos para a recuperação do país. Para Pequim, um país atingido por um desastre natural deve ter garantido o acesso a recursos e apoio internacional sem restrições políticas. A China defende que o momento exige solidariedade e cooperação, e não a manutenção de medidas econômicas que, segundo o governo chinês, penalizam a população venezuelana.
Sanções ampliam desafios para a reconstrução da Venezuela
Além dos danos provocados pelo terremoto, a Venezuela enfrenta o desafio adicional das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que há anos restringem o acesso do país a recursos financeiros, operações comerciais e mercados internacionais.
As medidas foram ampliadas a partir de 2019, quando Washington impôs sanções contra a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), atingindo o principal setor de geração de receitas externas do país. As restrições também afetaram empresas e instituições venezuelanas que dependem de operações financeiras internacionais, dificultando a aquisição de equipamentos, tecnologia e produtos necessários para diferentes áreas da economia.
Mesmo diante da emergência causada pelo terremoto, a flexibilização anunciada pelos Estados Unidos foi limitada. Washington autorizou algumas transações relacionadas à assistência humanitária, mas manteve a estrutura geral das sanções contra a Venezuela.
O auxílio chinês
Em resposta a uma pergunta do Brasil de Fato durante a conferência de imprensa de 29 de junho, outro porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, anunciou que Pequim destinaria 100 milhões de yuans (cerca de US$ 15 milhões) em ajuda emergencial à Venezuela. Segundo ele, os recursos seriam destinados ao envio de suprimentos essenciais para apoiar as operações de socorro e os esforços de recuperação nas áreas atingidas pelo terremoto.
Respondendo a uma nova pergunta do Brasil de Fato na conferência desta terça-feira (7), Mao Ning informou que o primeiro lote da ajuda chinesa já chegou à Venezuela.
“Ontem, o primeiro lote de 80 toneladas de suprimentos de ajuda do governo chinês — incluindo geradores elétricos, equipamentos de purificação de água, tendas e cobertores — chegou à Venezuela em um voo charter”, afirmou a porta-voz.
A carga incluiu 20 geradores de energia, oito unidades de purificação de água, 200 equipamentos de desinfecção, 200 conjuntos de iluminação solar, mais de 1.700 tendas e mais de 6.700 cobertores, destinados a apoiar as operações de resgate e o acolhimento temporário das pessoas afetadas pelo terremoto.
Segundo Mao Ning, a Cruz Vermelha da China também participou dos esforços de assistência. “A Cruz Vermelha da China concedeu US$ 300 mil em ajuda financeira emergencial à Cruz Vermelha Venezuelana”, afirmou.
A representante da chancelaria chinesa acrescentou que o governo chinês também forneceu imagens de satélite das áreas afetadas pelo desastre, utilizadas para auxiliar no monitoramento e na resposta às consequências do terremoto.
Na coletiva, Mao Ning ressaltou ainda a participação de empresas e associações da comunidade chinesa na Venezuela nos trabalhos de emergência, fornecendo “uma grande quantidade de máquinas, equipamentos e alimentos”.
Segundo dados da Embaixada da China na Venezuela, empresas chinesas que atuam no país já doaram mais de 115 toneladas de suprimentos, incluindo alimentos, água potável, produtos de primeira necessidade, equipamentos de construção, medicamentos e materiais médicos. Novos carregamentos estavam previstos para ampliar a assistência. As companhias também mobilizaram equipamentos de engenharia e equipes técnicas para apoiar os trabalhos de resgate, incluindo guindastes, escavadeiras, contêineres e geradores de emergência.
A comunidade chinesa residente na Venezuela também organizou uma campanha de solidariedade, reunindo centenas de toneladas de materiais de ajuda, entre água, alimentos e itens básicos destinados às famílias afetadas pelo terremoto.
Ao comentar a continuidade da assistência, Mao Ning afirmou que Pequim seguirá acompanhando a situação. “A China está disposta a continuar fornecendo mais apoio e assistência de acordo com a evolução da situação do desastre na Venezuela”, declarou a porta-voz.
