Educação Pública

Problemas na UnDF persistem mesmo após o fim da greve, apontam sindicato e estudantes

Comunidade acadêmica denuncia precariedade em prédio alugado e ausência de políticas de permanência estudantil

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Estudantes da UnDF denunciam falta de diálogo e risco de evasão após decisão de transferir cursos
Estudantes da UnDF denunciam falta de diálogo e risco de evasão após decisão de transferir cursos | Crédito: Agência Brasília

Quase dois meses após o fim da greve que paralisou as atividades da Universidade do Distrito Federal (UnDF) por 48 dias, estudantes e professores afirmam que os principais problemas que motivaram a paralisação permanecem sem solução. Apesar da retomada das aulas em 8 de maio, a mudança para o Campus Norte, em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, não resolveu reivindicações relacionadas à infraestrutura, à assistência estudantil, à autonomia universitária e à valorização da carreira docente.

A utilização do prédio alugado do Centro Universitário do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) continua sendo um dos principais alvos de críticas da comunidade acadêmica. O contrato, estimado em cerca de R$ 110 milhões, é questionado por estudantes e docentes, que defendem investimentos em uma estrutura própria para a universidade e em políticas permanentes de assistência estudantil.

Para a presidenta do Diretório Central Acadêmico (DCA), Bárbara Oliveira, a transferência para o Campus Norte ocorreu sem garantir uma solução definitiva para a estrutura física da universidade.

“Ocorreu de forma compulsória para parte da comunidade acadêmica e posteriormente, a própria Terracap [Companhia Imobiliária de Brasília] divulgou uma relação com mais de 100 imóveis destinados a leilão, o que levantou questionamentos entre os estudantes sobre a efetiva prioridade dada à consolidação da universidade”, denunciou.

Impasses permanecem

Entre os docentes, a avaliação é de que houve avanços após o encerramento da greve, como a nomeação da reitora, Fernanda Marsaro, e a abertura de diálogo com a categoria. Apesar disso, reivindicações relacionadas à carreira, à autonomia universitária e ao modelo de gestão da universidade continuam entre as principais demandas do sindicato. 

“A autonomia universitária foi garantida, momentaneamente, pela nomeação de docentes a cargos de gestão acadêmica, ainda que isso não esteja consolidado nas normativas da UnDF. Além disso, os processos democráticos para a seleção desses cargos ainda não foram instituídos. As estruturas democráticas da universidade seguem incompletas. Os cargos de reitor, diretor de escola, coordenador de centro e coordenador de curso não são eleitos”, afirmou o presidente do SindUnDF, Louis Blanchet. 

A ausência de eleições diretas para cargos de gestão foi uma das reivindicações apresentadas durante a greve. Segundo o sindicato, enquanto essas mudanças não forem incorporadas aos regimentos internos da universidade, a instituição continuará sujeita a decisões centralizadas pelo Poder Executivo.

Além das questões administrativas, estudantes afirmam que a mudança para Ceilândia aumentou as dificuldades relacionadas à permanência de estudantes. Entre os principais problemas a falta de transporte público, especialmente no período noturno, a iluminação dos arredores do campus e do estacionamento e a falta de políticas de assistência estudantil.

“Muitos estudantes enfrentam dificuldades para chegar ao Campus Norte e, principalmente, para retornar às suas casas após o encerramento das aulas noturnas, o que compromete o acesso à educação e aumenta o risco de evasão”, afirmou Bárbara Oliveira.

Segundo os estudantes, a alimentação também continua sendo apontada como insuficiente. Os custos elevados e os horários reduzidos de funcionamento dos serviços disponíveis no Campus Norte dificultam a permanência de alunos que passam o dia na universidade.

Estudantes da UnDF erguem cartaz de “greve geral” durante ocupação do Campus Norte
Estudantes da UnDF erguem cartaz de “greve geral” durante ocupação do Campus Norte | Crédito: Jhoni Alvim/Estudante da UnDF

Contrato é questionado

O contrato de locação do prédio utilizado pela UnDF também continua sendo alvo de questionamentos por parte do sindicato. A principal crítica é o uso de recursos do Fundo de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FunDF) para custear o aluguel do imóvel.

Louis Blanchet afirma que a contratação apresenta irregularidades e destaca que a cobrança por alternativas em imóveis públicos ainda não foi respondida pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

“O aluguel que viabilizou a mudança foi realizado com desvio de finalidade, uma vez que ele apenas autoriza obras, e violando os preceitos da licitação, uma vez que a busca de preços foi feita em momento posterior à escolha do imóvel. Em audiência pública, na Câmara dos Deputados, foi solicitada a apresentação de alternativas entre prédios públicos para a lotação na região de Ceilândia; até o momento não obtivemos resposta”, criticou.

Para Bárbara Oliveira, embora as atividades acadêmicas tenham sido normalizadas, a universidade ainda está distante das condições consideradas adequadas para garantir acesso e permanência aos estudantes. “Ainda falta um planejamento consistente e investimentos estruturantes por parte do Governo do Distrito Federal para consolidar a UnDF como uma universidade pública capaz de oferecer condições dignas de acesso, permanência e formação”, avaliou.

O outro lado

A Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) informou ao Brasil de Fato DF que as greves docente e estudantil foram encerradas e que os campi Norte e Ceilândia seguem em funcionamento.

Sobre a locação do prédio do Campus Norte, em Ceilândia, a universidade afirmou que a legalidade do contrato foi reconhecida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que, segundo a instituição, não identificou vícios nos ajustes analisados.

Em relação à autonomia universitária, a UnDF informou que estão em andamento as medidas necessárias para a implementação dos conselhos superiores e para a posse dos conselheiros.


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Editado por: Flavia Quirino

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