GUERRA NO ORIENTE

Governo segura subsídio da gasolina por tensão no Irã e avança com aumento do etanol na mistura

Anunciada por Hugo Motta, estratégia tenta blindar país de mais uma alta global do petróleo após novos ataques dos EUA

No audio source provided.
No caso do diesel, a subvenção de R$ 0,3515 entrará em vigor em junho, quando acabará a redução a zero dos tributos federais
No caso do diesel, a subvenção de R$ 0,3515 entrará em vigor em junho, quando acabará a redução a zero dos tributos federais | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quinta-feira (9) que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reunirá para deliberar sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, dos atuais 30% para 32%. O encontro está marcado para a próxima terça-feira (14).

Segundo o parlamentar, a data foi acertada após reunião com o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Bruno Moretti, e com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O aumento da participação do etanol na composição da gasolina é uma das medidas defendidas pelo governo para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Retirada do subsídio

Hugo Motta também afirmou que o governo federal segue comprometido com o fim do subsídio à gasolina previsto no projeto de lei complementar sobre combustíveis, mas que a medida dependerá da evolução do cenário internacional.

Por ora, será necessário “mais um tempo para aguardar a estabilização do preço decorrente do conflito no Irã”, disse o presidente da Câmara.

A declaração reforça informação divulgada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que o governo decidiu adiar o anúncio da retirada da subvenção diante da nova alta do petróleo no mercado internacional. Segundo o ministro, a valorização da commodity, impulsionada pelos ataques dos Estados Unidos ao Irã e pelos riscos ao transporte de petróleo na região do Estreito de Ormuz, exige cautela para evitar novos impactos sobre o preço dos combustíveis.

Em março, o governo instituiu uma série de medidas para conter a alta dos preços provocada pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelo risco de paralisação dos caminhoneiros. O pacote incluía a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível, custeado por um imposto sobre a exportação de petróleo bruto.

Em maio, o Executivo ampliou a política de subvenções e passou a conceder um benefício adicional de R$ 0,89 por litro de gasolina, financiado com recursos da União. Na semana passada, com a trégua entre Estados Unidos e Irã, Durigan havia anunciado o início da retirada gradual do benefício. O governo chegou a reduzir parte do subsídio ao diesel, mas a retomada das tensões no Oriente Médio levou a equipe econômica a reavaliar o cronograma para a gasolina.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter