Tragédia

Venezuela: número de mortos chega a 3.811 e governo desmente sobre uso de valas comuns

Governo atualizou número de vítimas do terremoto e reforçou que todos os corpos estão sendo enterrados individualmente

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Passadas duas semanas do desastre, número de mortos na Venezuela se aproxima de 4 mil
Passadas duas semanas do desastre, número de mortos na Venezuela se aproxima de 4 mil | Crédito: Javier Campos/Nurphoto/Nurphoto via AFP

A mais recente atualização da tragédia que assolou o território venezuelano traz 3.811 mortes confirmadas em decorrência dos sucessivos terremotos que atingiram a região desde o dia 24 de junho. O anúncio veio do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O número de feridos é de 16.740, enquanto o de desabrigados subiu para 17.907.

Nesta semana, o governo anunciou que irá cobrar dívidas antigas que outros países têm com a Venezuela para apoiar na reconstrução do país.

A presidenta interina, Delcy Rodríguez, lembrou do sequestro de 31 toneladas de ouro venezuelano por parte da Inglaterra que, desde 2019, bloqueia o bem por alegar não reconhecer a eleição do então presidente Nicolás Maduro.

“Decidi enviar uma carta, entre outros, ao rei da Inglaterra, para que liberem o ouro que está retido no Banco da Inglaterra. Esse ouro é do nosso povo e esse ouro deve estar para atender às consequências terríveis, trágicas destes dois terremotos”, afirmou a presidenta.

Antes dela, ao longo da pandemia, Maduro já havia tentado o mesmo diálogo para que o recurso fosse destinado ao combate à covid-19 na Venezuela, mas sem sucesso.

A presidenta interina também afirmou estar em diálogo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para articular a destinação de recursos em prol da recuperação do país.

Dignidade

À medida que os corpos vão sendo encontrados, começa uma difícil tarefa de garantir dignidade para os mortos e seus familiares.

Nesta semana, o governo do país se pronunciou para afirmar a intenção de garantir que o sepultamento e o enterro dos corpos aconteçam com respeito, descartando a possibilidade de fazer valas comuns, haja vista o alto número de vítimas.

No município de Vargas, no estado de La Guaira, o mais atingido pelos terremotos, foi ativado o Cemitério La Esperanza com este objetivo.

No local, as autoridades estão mobilizadas para que cada corpo tenha seu espaço e receba uma cruz branca com um código alfanumérico de identificação, além da data de falecimento, 24 de junho de 2026.

O governo venezuelano também reforçou que todo o serviço será prestado de forma gratuita para a população.

Além disso, o governo detalhou sobre o abrigo para as pessoas desalojadas. Héctor Rodríguez, secretário executivo para Acampamentos Transitórios e Projetos de Habitação, informou que 16.686 pessoas estão alojadas nos 87 acampamentos distribuídos entre Caracas, La Guaira e Miranda.

Editado por: Rafaella Coury

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