Preparativos

China aumenta alerta e evacua milhares no leste antes da chegada do tufão Bavi

Cidade de 11,6 mil moradores será transferida por completo em Zhejiang; em Guangxi, Maysak deixou 39 mortos

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Barcos de pesca ancorados no porto para se protegerem do tufão Bavi no Terminal Portuário Central de Pesca de Liandao, na cidade de Lianyungang, província de Jiangsu, China, em 10 de julho de 2026.
Barcos de pesca ancorados no porto para se protegerem do tufão Bavi na cidade de Lianyungang, China | Crédito: WC/CFoto/CFOTO via AFP

As províncias da costa leste da China aceleraram os preparativos para a chegada do tufão Bavi, o nono do ano, que deve tocar o continente entre a noite de sábado (11) e a madrugada de domingo (12) no litoral entre as províncias de Zhejiang e Fujian.

A previsão mais recente do serviço meteorológico de Xangai aponta maior probabilidade de que o tufão atinja o trecho entre Wenling e Pingyang, no sul de Zhejiang, com ventos máximos entre 134 km/h e 166 km/h. O Centro Meteorológico Nacional projeta a chegada na faixa entre Fuqing, em Fujian, e Wenling.

O Comando Nacional de Controle de Enchentes e Combate à Seca elevou, na quinta-feira (9), a resposta de emergência do nível IV para o nível III, em uma escala de quatro graus na qual o nível I é o mais alto, segundo a CCTV.

O Bavi se manteve na categoria máxima de supertufão por mais de 135 horas, até perder força na noite de quinta. Nesta sexta-feira (10), as águas a leste de Taiwan, a maior parte do Mar do Leste da China, a área das ilhas Diaoyu e os litorais de Taiwan e Zhejiang registram ventos de 75 km/h a 117 km/h, com rajadas de até 149 km/h.

A trajetória foi recalculada para o norte ao longo do dia, e a chuva forte deve alcançar mais de dez províncias. Antes do continente, o tufão deve atingir ou passar de raspão pelo norte da ilha de Taiwan durante o sábado, com rajadas que podem se aproximar dos recordes históricos para esta época do ano, tanto em Taiwan quanto no norte de Fujian e em Zhejiang.

O olho do tufão, a zona de menor pressão atmosférica no centro do sistema, funciona como termômetro de sua força: quanto menor e mais redondo o olho, mais intenso o fenômeno.

Uma cidade inteira transferida em Zhejiang

Até hoje, já foram transferidas 6.050 pessoas em Zhejiang, segundo balanço das autoridades provinciais. O número vai crescer: a cidade costeira de Xiaguan, no condado de Cangnan, dentro da zona de chegada mais provável do tufão, recebeu ordem de transferir toda a sua população residente, 11.614 pessoas, até as 19h (horário de Pequim) de hoje.

Em Cangnan, o departamento de recursos hídricos abriu as comportas de 20 reservatórios para baixar o nível da água e liberar capacidade para as chuvas previstas.

Mais ao norte, em Ningbo, a estação de bombeamento de Shanhuang, no distrito de Fenghua, abriu totalmente suas duas comportas para escoar a água dos rios do interior em direção ao rio Dongjiang. “Fizemos a descarga preventiva de água em todas as principais comportas de controle de enchentes do distrito e conseguimos deixar o rio em nível baixo”, afirmou Huang Tao, funcionário do centro de gestão de rios e lagos do escritório de recursos hídricos de Fenghua.

Em Taizhou, fiscais marítimos verificam a segurança dos barcos atracados; 33 obras em áreas alagáveis e 18 linhas costeiras de balsas de passageiros foram paralisadas, e mais de 2 mil pessoas saíram das ilhas da cidade. No condado insular de Shengsi, mais de 9 mil turistas já deixaram as ilhas, e as balsas devem parar a partir desta sexta-feira (10).

Yangtzé esvaziado

Na província de Jiangsu (que fica ao lado da de Zhejiang), a administração de segurança marítima elevou, na noite de quinta, o alerta ao nível III, o que exige a suspensão de operações e a retirada de pessoal de áreas expostas. Todo o tráfego no trecho do rio Yangtzé na província foi interrompido, embarcações de menos de 80 metros entraram em regime de controle e as demais buscaram abrigo em hidrovias interiores e ancoradouros.

Até o meio-dia de hoje (no horário local), todas as obras sobre e sob a água haviam sido paralisadas, as autoridades pesqueiras ordenaram o retorno dos barcos costeiros aos portos até as 18h e foram retirados 1.149 trabalhadores de 267 embarcações de obras.

Os trabalhos na ponte Zhangjinggao, projetada para ter o maior vão suspenso do mundo, foram interrompidos às 16h de quinta, e os mais de 600 operários que atuavam nas ilhas do canteiro foram levados de balsa a locais de acolhimento até a meia-noite.

Parques fechados e eventos adiados em Xangai

Em Xangai, o efeito do Bavi deve ser mais de vento do que de chuva entre sábado (11) e segunda-feira (13), com rajadas de 62 km/h a 88 km/h na maior parte da cidade, mais fortes nos prédios altos e na orla, e de até 133 km/h no porto de Yangshan, segundo o serviço meteorológico municipal. A chuva acumulada pode chegar a 110 milímetros, com picos de 50 milímetros em uma hora.

Depois da chegada à costa, o Bavi deve seguir para o noroeste e perder força, mas pode levar umidade para o norte do país, com previsão de chuvas fortes na região de Pequim, Tianjin e Hebei.

O rastro do Maysak em Guangxi

O Bavi se aproxima enquanto o sul do país ainda calcula os impactos do tufão anterior. O Maysak, décimo do ano por ter se formado antes do Bavi, tocou a ilha de Hainan em 3 de julho, passou pelo Vietnã e entrou na Região Autônoma de Guangxi na madrugada do dia 5, provocando enchentes de proporções raras na história da região: 65 rios passaram do nível de alerta.

Até quinta-feira (9), 39 pessoas haviam morrido e nove estavam desaparecidas, segundo a agência China News Service (CNS), a maior parte no rompimento da barragem do reservatório de Liulan, perto de Nanning, que deixou 26 mortos e sete desaparecidos.

Editado por: Rafaella Coury

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