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Eleições na Palestina sinalizam capacidade de autodeterminação do povo, avalia analista internacional

Amanda Harumy avalia que voto popular reforça capacidade de auto-organização do povo frente ao poder bélico israelense

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Nakba resultou em uma crise humanitária de proporções globais, com uma população de aproximadamente 7 a 8 milhões de palestinos vivendo hoje na diáspora
Nakba resultou em uma crise humanitária de proporções globais, com uma população de aproximadamente 7 a 8 milhões de palestinos vivendo hoje na diáspora | Crédito: Moslem Daneshzadeh/Unsplash

A população da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental ocupada participará de eleições legislativas no dia 28 de novembro, segundo anúncio do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Será o primeiro pleito do tipo na Palestina desde 2006, quando uma vitória legítima do Hamas foi rechaçada pelo Ocidente.

A analista internacional Amanda Harumy avalia que a eleição será muito importante para o reconhecimento político da Palestina. “A maior reivindicação de Gaza é o reconhecimento do Estado Palestino e da sua nação em si. A disputa com Israel é direta numa perspectiva do território. O genocídio denunciado por Gaza é essa expansão territorial de Israel sobre o território palestino, mas há uma dimensão política também”, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Apesar das fragilidades, segundo Harumy, o processo eleitoral será importante para a transição do poder político do Hamas a outras instâncias. “Lembrando que o Hamas controlou a Palestina e tem legitimidade perante o povo palestino, mas é constantemente questionado por Israel e pelo Ocidente como um grupo terrorista, não uma organização política”, aponta.

Amanda Harumy afirma que o processo democrático, por mais dificuldade que possa encontrar em um território com conflito deflagrado, é fundamental para dar o recado ao mundo de que a Palestina tem poder político e uma população.

“É um símbolo da capacidade de resistência do povo palestino, a partir de uma perspectiva de que esse reconhecimento do território, do que a gente acredita ser uma nação, é institucional. A Palestina segue existindo, sendo atacada, invadida, mas ela continua existindo como povo. O povo palestino resiste e se auto-organiza, e isso não há poder bélico que possa destruir. O conceito de estado-nação vem acompanhado do conceito de soberania e da autodeterminação dos povos. Nesse momento, a gente vê uma importante sinalização da capacidade de autodeterminação da Palestina”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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