O Centro de Formação em Economia do Mar está com inscrições abertas até o dia 10 de agosto para o curso de Carpintaria Naval Artesanal, destinado a moradores de 26 comunidades pesqueiras do entorno da Baía de Guanabara. Esta é a terceira turma da formação, que incluíra o início da construção de uma embarcação movida a energia renovável. Um trabalho que terá seguimento pelas próximas turmas e deverá ser concluído até 2028.
“O catamarã terá capacidade para 15 passageiros e será destinado ao turismo de base comunitária”, explica ao Brasil de Fato o idealizador da iniciativa, Sérgio Ricardo de Lima, cofundador do Movimento Baía Viva.
Ao oferecer o curso, Lima também busca preservar um conhecimento que hoje está restrito a poucos mestres carpinteiros navais. Entre os critérios de seleção, além de garantir representantes de todas as comunidades, estão a promoção da equidade de gênero e o incentivo à participação de jovens, com o objetivo de despertar novamente o interesse pelo ofício.
“Em uma pesquisa realizada em Angra dos Reis, identificamos cerca de uma centena de embarcações abandonadas”, justifica.
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O curso terá duração de cinco meses, com concentração das aulas teóricas em uma semana por mês. Os 30 estudantes selecionados receberão uma bolsa para que a participação nas aulas não comprometa a renda familiar. Além disso, o hangar, imóvel de propriedade da União, está sendo reformado para melhorar sua estrutura. Após as obras, o espaço contará com três salas de aula climatizadas, com capacidade total para 120 alunos, além de refeitório, cozinha reformada e alojamentos. As aulas terão início em 17 de agosto.

O Centro de Formação em Economia do Mar está localizado no Hangar Náutico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, onde as aulas serão ministradas por professores da UFRJ e pelo mestre carpinteiro naval e pescador Roque. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Movimento Baía Viva, o Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, responsável por pesquisas em energia renovável, e o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides), da UFRJ.
Com mais de 300 quilômetros de extensão, a Baía de Guanabara não é apenas cenário de alguns dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro. Ela também banha diversos municípios da região metropolitana e abriga comunidades pesqueiras artesanais que enfrentam dificuldades crescentes para manter suas atividades. Atualmente, apenas 12% do espelho d’água permanece disponível para a pesca, em razão da poluição causada pela falta de saneamento básico e pela intensa ocupação industrial no entorno. O projeto contempla comunidades de sete municípios: Itaboraí, Magé, Maricá, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias e Guapimirim.
As duas primeiras edições do curso foram realizadas entre 2023 e 2024, com recursos do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), provenientes de medidas compensatórias destinadas pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ). Os recursos possibilitaram a implantação do Estaleiro-Escola no Hangar Náutico da Ilha do Fundão e a formação de duas turmas, responsáveis pela construção de três embarcações de pesca.
Curso de Aprendiz de Carpintaria Naval Artesanal
Inscrições:
Via formulário https://short-url.cc/1yvm4.
Via WhatsApp – encaminhe um vídeo de 2 a 3 minutos informando o porquê do seu interesse pelo Curso de Aprendiz de Carpintaria naval Artesanal Contato: (21) 99877-1043ou pelo e-mail: [email protected]
Descrição do curso:
Cada turma de até 30 pessoas, terá carga horária de 200 horas entre aulas teóricas e práticas. Os certificados de conclusão serão emitidos pelo Nides/UFRJ como atividade de extensão universitária aos alunos/as que obtiverem 80% de frequência nas aulas teóricas, práticas e atividades de intercâmbio.
Onde será realizado: Hangar Náutico da UFRJ – Rua Octávio Cantanhede, 817-829, Cidade Universitária (Ilha do Fundão).
Início das aulas: 17 de agosto

