Extrema direita

França: suposto favoritismo de Le Pen após condenção deve ser visto com cautela, avalia cientista política

Liderança da extrema direita francesa foi condenada na semana passada por desvio de fundos públicos europeus

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President of Rassemblement National parliamentary group Marine Le Pen arrives to attend a ceremony marking the 10th anniversary of an attack that killed 86 people and injured more than 400 in Nice, on the French riviera city of Nice on July 14, 2026. A solemn march, an interfaith ceremony, a military parade and a memorial service presided over by French President are on the programme for the commemorations marking the 10th anniversary of the attack on the Promenade des Anglais in Nice, as announced by the city council on July 1, 2026. On July 14, 2016, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, a Tunisian national, drove a 19-tonne lorry for nearly 2 km into the crowd that had just been watching the fireworks, killing 86 people and injuring more than 400 before he was shot dead. (Photo by Philippe Magoni / POOL / AFP)
Marine Le Pen | Crédito: Philippe Magoni / POOL / AFP

A França passará por eleições no ano que vem e, apesar da distância temporal, pesquisas de intenção de voto indicam que a ultradireitista Marine Le Pen poderá sair vitoriosa. A cientista política Florence Poznanski avalia que o contexto político francês é repleto de complexidades e que o atual governo de Emmanuel Macron tem tomado decisões bastante conservadoras. “Há muita coisa incerta. Ainda mais considerando a situação de Marine Le Pen”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, em alusão à condenação da política por desvio de fundos da União Europeia.

Poznanski avalia que, apesar das pesquisas, existe um histórico de disputa de outros quadros na França. “Jean-Luc Mélenchon, que é o líder do movimento de esquerda francês, quase chegou ao segundo turno em 2022, nas últimas eleições. Um ano antes, ele estava com pouquíssimas intenções de voto, 8%, 7%, ele chegou a 20% no final. Talvez exista um cenário político muito incerto agora nesse segundo turno, onde teríamos talvez a possibilidade desse candidato chegar ao segundo turno e enfrentar a Marine Le Pen. Esse seria também um cenário político muito inédito que eu acho que nenhuma pesquisa eleitoral pode prever nesse momento”, avalia.

No sentido jurídico, algumas decisões recentes indicam que, apesar de condenada, Le Pen estaria livre para disputar as eleições no próximo ano. “Esse julgamento que aconteceu agora, ele é um pouco curioso porque por um lado ele confirmou a condenação da Marine Le Pen, mas não só da Marine Le Pen, uma dezena de outros quadros políticos, mas por outro lado abriu o leque para ela se candidatar. Ou seja, ele ela é condenada e ela que decide o que ela quer fazer. E ela entrou numa jogada que é legítima, na verdade, para qualquer cidadão”, defende.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Lucas Estanislau

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