O centenário do compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro Moacir Santos, no dia 26 de julho, inspirou o compositor e arranjador Allan Abbadia a realizar o projeto “Dentro do Som” no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc durante o mês de agosto. A ideia é divulgar com mais profundidade a extensa obra de Moacir Santos, que se destaca pela fusão de ritmos afro-brasileiros com o jazz.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Allan Abbadia afirma que a admiração e a percepção de que Moacir precisa ser mais conhecido do grande público motivaram o curso. Junto com uma comunidade de outros pesquisadores, ele tem se dedicado há muito tempo a manter viva a memória deste grande fomentador das artes brasileiras entre os anos 1950 e 1960.
O músico avalia que muita gente consome e até conhece música, mas pouca gente para para escutar. “A proposta era aproximar o ouvinte dessa audição que nós, profissionais da música, temos. Então, é como se fosse ouvir de dentro para fora. Conhecer a obra de Moacir Santos de dentro. Eu parto da premissa de que todo mundo conhece muito sobre música, mas não conhece teoricamente, tecnicamente. Mas a música emociona a todos e a ideia é aproximar a escuta do Moacir Santos ao sentimento que todas as pessoas têm”, afirma.
Abbadia destaca que, além de referência musical, Moacir Santos também foi resistência no período da ditadura no Brasil. O disco “Coisas” foi lançado em 1965, em pleno governo de Castello Branco. “As escolhas estéticas que ele traz no disco também dialogam com isso. Dialogam com apagamentos, com uma tentativa de destruição da cultura brasileira e das representações afrodiaspólicas”, comenta.
Para ouvir e assistir
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