O Legisla Brasil lança nesta segunda-feira (10) a pesquisa “Juventudes e participação partidária”, que mostra que jovens têm dificuldade em uma primeira eleição por causa da falta de financiamento de campanha. Em 2024, uma candidatura jovem recebia R$ 23.028, em média, o que representa 64% do valor recebido pelas candidaturas mais velhas (R$ 36 mil). Analisando o quadro das mesmas eleições, candidatos de 18 a 20 anos tiveram taxa de sucesso de 7,1%, enquanto candidatos de 35 a 44 anos atingiram 16%, mais que o dobro. Os jovens de 18 a 29 anos representaram apenas 6% das vereanças eleitas.
O levantamento cruzou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a escuta de mais de 60 jovens filiados e ex-filiados a partidos políticos de direita, centro e esquerda, e constatou que, quanto mais jovem, menor a chance de vitória.
Segundo a pesquisadora Synthya Maia, do Legisla Brasil, a pesquisa nasceu de uma inquietação a partir de uma ideia difundida no senso comum de que jovens não se interessam por política. “O que esses dados nos mostram é que a política partidária funciona para um jovem como um funil. Muitos se aproximam, poucos conseguem e menos ainda chegam a posições de influência. E o que para a gente é interessante de pontuar é que a juventude não desapareceu”, afirma em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.
Em 2024, quase 30 mil jovens se candidataram, mas, nessas mesmas eleições, a juventude se elegeu menos. De acordo com a pesquisadora, a diferença é mais do que o dobro entre a faixa etária que mais se elege. “É nesse momento que a candidatura precisa virar voto e o voto precisa virar cadeira que o jovem perde. Então, essa explicação de que o jovem não tem interesse pela política partidária é muito simplista frente, inclusive, às novas regras eleitorais que a gente considera bastante central”, pondera.
Os dados da pesquisa permitem afirmar que ser mulher e jovem é, simultaneamente, a combinação que mais dificulta a conversão da candidatura em mandato. Em 2024, mulheres jovens tiveram taxa de sucesso de apenas 5,3%, contra 16,9% dos homens jovens. Ou seja, as jovens se elegeram a menos de um terço da taxa deles, com a maior desigualdade de gênero entre todas as faixas etárias. Considerando o recorte racial, uma jovem mulher negra tem pouco mais de um décimo da chance de eleição de um jovem homem branco.
“A cota até amplia o acesso delas ao recurso, mas divide o mínimo entre muitas. Então, cada uma recebe pouco, enquanto o dinheiro do topo se concentra em poucos homens brancos”, pontua Maia. “No quarto mais bem financiado de 2020, os homens brancos jovens receberam a partir de R$ 34.000 e as mulheres negras jovens a partir de R$ 650. Então, a cota levanta o piso, mas infelizmente não alcança o teto”, resume.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
