COMPROMISSO

Articulação pela Economia de Francisco e Clara lança carta para as eleições de 2026

Documento propõe dez critérios de discernimento e chama à participação permanente nos territórios

No audio source provided.
Carta propõe critérios para avaliar projetos de sociedade nas eleições de 2026
Carta propõe critérios para avaliar projetos de sociedade nas eleições de 2026 | Crédito: Marri Nogueira/Agência Senado

“Que Brasil estamos semeando?” é o título da carta da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC), lançada com o objetivo de contribuir para o discernimento da sociedade brasileira diante das eleições de 2026. A iniciativa também inclui um programa formativo on-line que pretende fortalecer a participação popular, a democracia e a organização da esperança nos territórios.

Elaborada pela ABEFC, a carta é dirigida ao povo brasileiro e apresenta dez critérios para o discernimento sobre projetos e propostas no processo eleitoral. A proposta parte do Evangelho, da Doutrina Social da Igreja e dos princípios da Economia de Francisco e Clara para fazer uma leitura da realidade brasileira a partir dos clamores dos pobres e da Terra. O texto afirma que as eleições devem ser compreendidas como um tempo de discernimento coletivo, no qual a sociedade é chamada a olhar para a realidade com coragem e refletir sobre o país que deseja construir.

Para Irmã Fátima Lessa Ribas, Franciscana da Penitência e Caridade Cristã, uma das redatoras da carta, a iniciativa nasce da necessidade de recuperar processos de formação e de fortalecer uma consciência coletiva capaz de responder aos desafios do tempo presente. “Esta carta é fruto de nossa preocupação com os clamores dos povos e da Terra, do reconhecimento da urgência de retomarmos a formação popular e uma nova consciência coletiva que novamente acredita na força do bem, com atitude profética diante das dores da humanidade ferida. Para além da polarização, queremos apontar e construir caminhos de esperança.”

Mais do que apresentar posicionamentos sobre candidaturas ou partidos, a carta propõe critérios éticos para que eleitoras e eleitores possam avaliar projetos de sociedade. Entre os compromissos apontados estão a defesa da democracia, dos direitos humanos e da participação popular, além da atenção às consequências sociais e ambientais das mudanças climáticas.

Nesse sentido, Irmã Fátima destaca que a participação política não deve ser reduzida ao momento do voto. A formação proposta pela articulação pretende ajudar comunidades e participantes a compreender o processo eleitoral como parte de uma caminhada permanente de participação e transformação social. “Mais do que preparar para esta eleição, a ABEFC propõe formar para a participação, fortalecer a democracia e organizar a esperança. Afinal, a pergunta que nos reúne é também um compromisso: Que Brasil estamos semeando?”

Dez critérios para o discernimento

A carta apresenta dez eixos considerados fundamentais para o processo eleitoral. O primeiro coloca a dignidade humana como critério central da política e defende o compromisso com a erradicação da fome, a redução das desigualdades, a garantia de renda, moradia, saúde, educação e oportunidades.

A defesa incondicional da democracia e da participação popular aparece como segundo eixo. O documento ressalta que a democracia não se resume ao voto periódico, mas se fortalece por meio do diálogo, da transparência, da participação cidadã e dos espaços de controle social.

Documento já está disponível para download, leitura e assinatura – Reprodução

Os demais critérios abordam a promoção do trabalho digno e dos direitos sociais; o cuidado integral da Casa Comum e a reforma ecológica da economia; a proteção dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; a igualdade racial e de gênero e o enfrentamento do racismo e do patriarcado; o fortalecimento da educação, da saúde e das políticas públicas; o incentivo às economias solidárias, cooperativas e comunitárias; a construção de uma sociedade baseada na cultura do encontro; e a responsabilidade na comunicação e o combate à desinformação.

Para a ABEFC, esses compromissos estão relacionados a uma compreensão de economia e política colocadas a serviço da vida, do Bem Comum e da fraternidade. A carta também chama atenção para a relação entre a crise social e a crise ecológica e defende formas de produção, consumo e partilha que promovam trabalho digno, justiça social e sustentabilidade.

Formação acontece em três encontros

Como parte da iniciativa, a ABEFC organizou uma formação on-line em três encontros, marcados para os dias 20 e 27 de agosto e 3 de setembro, às 20h. O primeiro encontro propõe olhar a realidade a partir dos pobres e da Terra; o segundo convida ao discernimento sobre os projetos de sociedade; e o terceiro propõe organizar a esperança, compreendendo que a participação política não termina no voto.

A iniciativa também pretende fortalecer a participação nos territórios, nas comunidades, nas Casas de Francisco e Clara e em outros espaços populares, valorizando experiências de organização comunitária que já existem. Candidatas e candidatos poderão ainda assinar a carta, assumindo compromisso com as pautas apresentadas e com uma economia que cuide, em vez de explorar, e que promova a lógica do Bem Viver.

A carta reforça que o processo eleitoral deve ser entendido para além da escolha de representantes. Na conclusão, a ABEFC afirma que o voto é importante, mas que a transformação social continua nas comunidades, nos movimentos populares, nos mutirões e nos espaços onde o povo organiza a esperança e constrói o Bem Viver.

Entre as mensagens centrais do documento está o convite para que a sociedade não procure “salvadores da pátria”, mas projetos coletivos capazes de fazer florescer a vida. A proposta é fortalecer uma participação política permanente, comprometida com os pobres, os territórios e a Casa Comum.

A carta “Que Brasil estamos semeando?” é assinada pela Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC) e tem como redatores o Conselho Territorial e o Secretariado da Articulação, com participação de Juliana Souza, Giuliano Saragiotto, Larissa Fernanda, Irmã Fátima Lessa e Peterson Prates.

Segundo os redatores, a proposta da ABEFC se resume em um chamado: ver a realidade, discernir coletivamente e agir a partir dos territórios. Para mais informações, inscrições nos encontros e download da carta para leitura na íntegra, acesse: https://linktr.ee/economiadefrancisco.

Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter