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‘Cabeça erguida e olhar no olho’: entenda a estratégia do Brasil ao iniciar reciprocidade contra os EUA

Analista explica que o processo é longo e busca abrir espaço para diálogo, respondendo com firmeza a medidas arbitrárias

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Encontro de Lula e Trump na Casa Branca, em 7 de maio
Encontro de Lula e Trump na Casa Branca em maio de 2062 | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

No final da semana passada, o Brasil formalizou o início do processo de reciprocidade por causa do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Contudo, o mecanismo em si ainda não está valendo.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o analista internacional Henrique Gomes, doutorando na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que é um processo que deverá ser lento e inclui diversos trâmites burocráticos. “Isso é uma barganha do governo brasileiro, pois, enquanto esse processo está em andamento, a ideia é que se dialogue com os Estados Unidos e talvez se consiga que os próprios Estados Unidos retirem suas tarifas e, com isso, as tarifas recíprocas não seriam necessárias”, explica.

Gomes explica que os ritos desse processo incluem investigação dos impactos econômicos que uma eventual tarifa pode causar na economia dos países envolvidos e a justificativa para a aplicação da sanção, que, no caso do Brasil, parecem não ser reais. “O governo brasileiro tem documentos que afirmam que todas as argumentações utilizadas pelo governo estadunidense para impor tarifas contra o Brasil não se justificam, apontando que não há competição desproporcional do Brasil para com o setor produtor estadunidense”, avalia.

Henrique Gomes considera que, apesar da crise diplomática entre Brasil e EUA que está em curso, o governo brasileiro não está errado em tomar uma atitude firme contra mais uma decisão arbitrária do presidente Donald Trump, ainda mais pelas evidências de tentativa de interferir nas eleições.

“O governo Trump tem essa posição de bullying mundial, que é fazer bullying com todos os países do mundo e se impor. E o Brasil quer justamente continuar de cabeça erguida e olhar no olho, e também se impor contra esse bullying nos Estados Unidos. Agora foi considerado que a reciprocidade é o meio necessário até também para o Brasil reafirmar sua soberania”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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