O Haiti confirma que as eleições presidenciais estão mantidas em 13 de dezembro deste ano, apesar do crescente cenário de insatisfação popular. O país atravessa um prolongado vácuo institucional após uma década sem eleições para renovar seus representantes em cargos públicos. Diversas organizações sociais e movimentos populares exigem a devolução da soberania ao povo por meio da restauração da paz e do fim da interferência estrangeira.
O pleito vem sendo adiado há mais de quatro anos, num contexto de crise, e continua bastante improvável de ser realizado este ano.
Conflitos armados têm ocorrido semanalmente na capital e seus arredores, e um milhão e meio de refugiados internos, expulsos dos seus bairros pela violência, continuam longe de suas casas. As principais estradas do país estão bloqueadas pelas gangues e o funcionamento das instituições do Estado, assim como dos hospitais, escolas e universidades, enfrenta constantes suspensões.
Correspondente do Brasil de Fato no Haiti, Cha Dafol afirma que há um abismo entre as declarações oficiais e o que a população está vivenciando em seu cotidiano. “A população simplesmente não acredita que vai acontecer essa eleição. Existem muitas perguntas sem resposta”, resume.
Ela comenta os graves problemas sociais e de segurança: “Há aumento da violência e, principalmente, de sequestros no país, inclusive de membros do governo. Então, a situação é muito grave mesmo, mas a mídia já não está falando tanto sobre isso, só fala em eleição. Por exemplo, como você faz campanha se não pode circular pelo território, pelo país?”, questiona.
A jornalista relata que manifestações populares têm sofrido forte repressão policial. “Tem servidores que estão dizendo que vão entrar em greve; está um caos. E o governo não dá respostas. É uma distância muito grande entre o mundo em que o governo vive e a realidade em que vive a população.”
Cha Dafol é bastante incisiva ao dizer que “não há como realizar eleições sem negociar com as gangues”. E, nesse sentido, a correspondente questiona qual poderia ser essa moeda de troca. “Envolveria dinheiro, envolveria talvez algum lugar no poder, envolveria talvez manipulação dos resultados para ter os candidatos que eles querem mesmo? Então, a gente não está num clima democrático, assim, a gente está muito longe disso.”
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