Um novo protocolo pretende acelerar a resposta a alterações na qualidade da água do rio dos Sinos que possam colocar em risco o abastecimento da população ou dificultar o tratamento. A medida foi aprovada pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Comitesinos) após um episódio registrado em abril atingir diferentes municípios da região.
Na ocasião, moradores relataram alterações de gosto e odor e, em alguns pontos, da coloração da água distribuída. As operadoras atribuíram o fenômeno à proliferação de cianobactérias no rio e afirmaram que a água fornecida à população permanecia dentro dos padrões de potabilidade.
A ocorrência levou os sistemas de abastecimento a ampliar o compartilhamento de análises e informações. O novo protocolo busca transformar essa articulação em um procedimento permanente para situações semelhantes.
A Deliberação 123/2026 foi aprovada pelo Comitesinos na quinta-feira (6) e ainda será analisada pelo Conselho de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul (CRH-RS). O texto estabelece procedimentos entre a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), a Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo e o Serviço Municipal de Água e Esgotos de São Leopoldo (Semae), que integram o Grupo de Trabalho Qualidade da Água.
A proposta é evitar que uma alteração detectada em determinado ponto do rio seja tratada de forma isolada. Mudanças de cor, odor ou turbidez, mortandade de peixes, presença de espuma, produtos químicos ou cianobactérias e redução abrupta do oxigênio dissolvido estão entre os sinais que deverão gerar alerta imediato às demais operadoras.
Com isso, sistemas localizados em outros pontos da bacia poderão acompanhar a evolução do problema e adotar medidas preventivas nas captações.
“A construção do protocolo é resultado da articulação promovida pelo Comitê junto às operadoras, buscando transformar a experiência registrada em abril em um procedimento permanente de prevenção e resposta”, afirma a presidente do Comitesinos, Viviane Feijó Machado.

Amostras para investigação
O protocolo prevê a coleta de amostras da água bruta nos locais atingidos. Sempre que houver condições técnicas, também deverão ser preservadas contraprovas para análises complementares e investigações posteriores.
A operadora que identificar uma alteração deverá informar às demais o local e o horário da ocorrência, as características observadas, a captação atingida e as medidas adotadas. Fotos, vídeos e resultados preliminares de análises também deverão ser compartilhados quando disponíveis.
A ocorrência deverá ser comunicada à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e à agência responsável pela regulação do serviço. O Comitesinos também acionará a Fepam e o Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS), solicitando averiguação e investigação das possíveis causas.
Resultados deverão ser divulgados
A deliberação prevê que os órgãos ambientais emitam relatório com parecer técnico e conclusões sobre os episódios analisados, com ampla publicidade dos resultados.
O Grupo de Trabalho Qualidade da Água acompanhará as ocorrências e poderá propor atualizações no protocolo.
O documento tem caráter colaborativo e orientativo e não substitui as responsabilidades legais, ambientais, regulatórias e operacionais das empresas nem de eventuais responsáveis pelas alterações identificadas no rio.
