O programa Rio Sem LGBTIfobia está apoiando as proprietárias do Brejo Bar, no Rio de Janeiro (RJ), que foi alvo de ataques na quinta-feira (20), durante um sarau literário que fazia parte das comemorações do Dia do Orgulho Lésbico, comemorado um dia antes. Na ocasião, cerca de 70 pessoas estavam reunidas, quando foram jogados objetos que provocaram ardência nos olhos e mal-estar, além de garrafas com urina.
“Ontem (20), um dia após o Orgulho Lésbico, aconteceu um ato de lesbofobia no Brejo Bar, localizado no Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro. Durante um sarau de poesias e a entrega de uma placa de homenagem da vereadora Monica Benicio (Psol), foram atiradas uma bomba de gás lacrimogêneo e garrafas de urina, vindas num evidente ato de lesbofobia. Repudiamos essa atitude e reivindicamos a responsabilização dos envolvidos. Exigimos o respeito às nossas sexualidades, artes, cultura e aos nossos espaços de sociabilidade. Somos resistência e seguimos afirmando: nós combinamos de não morrer. Vivas e livres nos queremos!”, denunciou a página da Revista Brejeiras.
Após os ataques, as pessoas foram obrigadas a dispersar. Na ocasião, a vereadora Monica Benicio (Psol) estava presente para entregar uma placa comemorativa ao local com a frase: “aqui quem manda é sapatão”.
“A gente não tem como dizer exatamente o que foi, se foi um spray de pimenta ou um gás lacrimogênio. O que a gente pode dizer é que o efeito foi muito intenso, que a gente precisou dispersar as pessoas que estavam no espaço. Mas a identificação dessa substância vai ser feita pelas autoridades competentes”, explica Priscila Continentino, uma das sócias do bar, que vem se firmando como espaço de troca para a comunidade lésbica.
“Considerando que o perfil do Brejo Bar, como um espaço reconhecidamente voltado para mulheres e para comunidades LGBT+, a gente entende que, sim, existem indícios de uma possível motivação lesbofóbica e que deverá ser devidamente investigada”, completa Continentino.
Contentino e sua sócia, Vanessa Nascimento, recorreram ao Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, que denunciou o ocorrido à Delegacia de Crimes e Delitos e Intolerância (Decradi). O Brasil de Fato entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, com perguntas sobre o caso, mas, até o fechamento desta reportagem, não recebeu resposta. O espaço continua aberto para qualquer atualização.
“Para a gente, o mais grave é que não é uma agressão contra um estabelecimento comercial. Tinham em torno de 70 pessoas lá: clientes, artistas e trabalhadores. Isso gerou muito medo e insegurança. Nós somos um bar de mulheres. Tem toda a equipe que trabalha com a gente, tem as pessoas que frequentam a casa. A gente é um bar em que a nossa equipe é 99% feminina. É muito grave pensar que, justamente essa identidade, pode transformar o nosso espaço num lugar de alvo de violência”, disse a proprietária, lembrando que o Brejo Bar nasceu como um lugar de encontro para que as mulheres pudessem existir, “se encontrar, produzir cultura, se amar e celebrar a vida sem medo”.
Por enquanto, as proprietárias não sabem se vão manter uma programação para o próximo sábado (29), quando se comemora o Dia da Visibilidade Lésbica.
