energia limpa?

‘Contradições do próprio sistema’: transição energética amplia demanda por minerais críticos

Elisangela Paim analisa papel estratégico do Brasil neste momento e aponta importância de avaliar modelo de exploração

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Extração de minerais críticos impacta territórios indígenas no Brasil
Extração de minerais críticos impacta territórios indígenas no Brasil | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil tem se posicionado de maneira firme e soberana no que diz respeito à exploração de minerais críticos. Com reservas de mais de 20 insumos essenciais para a indústria da transição energética, o país tenta se reposicionar em tecnologia e defesa da soberania.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Elisangela Soldateli Paim, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da Fundação Rosa Luxemburgo, explica que o Brasil se destaca pela quantidade de reservas de terras raras, com 25% do montante global, atrás da China, que controla cerca de 50%. Por isso, observa a especialista, abre-se um campo de fortes disputas a nível geopolítico internacional.

Paim destaca que a própria terminologia “minerais críticos” guarda em si um caráter de necessidade. “O termo foi historicamente construído durante o contexto de guerra, da Primeira Guerra Mundial, mas principalmente da Segunda Guerra Mundial, em que recursos como petróleo, cobre, níquel, manganês, cromo e tantos outros passaram a ser considerados estratégicos justamente pela sua importância militar e também para a manutenção da capacidade industrial dos estados”, avalia.

A especialista aponta uma dissonância entre discurso e prática quando o assunto é transição energética. Se, por um lado, há um evidente aumento das energias renováveis, por outro há um expressivo aumento dos investimentos em petróleo, óleo e gás. “Isso acontece em nível mundial e justamente nesse contexto de disputas geopolíticas e de aumento de conflitos bélicos”, afirma.

Ela destaca que “por trás de todos esses aerogeradores e dos próprios painéis solares, existe uma demanda crescente de minerais. São diversos minerais que estão associados a esses equipamentos e, claro, à medida que se aumenta a construção e a instalação desses equipamentos, obviamente, por trás, tem um aumento importante dos processos minerários”.

Segundo Paim, o Brasil tem se colocado como um país que tem uma matriz elétrica renovável e que cada vez mais quer aumentar isso. “Grandes empresas, inclusive petroleiras, têm se colocado como parte integrante desse processo de suposta transição energética que a gente tem acompanhado desde as conferências de clima. Por outro lado, também temos acompanhado as discussões e os planos de exploração de petróleo na Foz do Amazonas“, destaca. “São contradições do próprio sistema.”

No que diz respeito à exploração de lítio, a pesquisadora avalia que, desde a quebra de monopólio promovida pelo governo Jair Bolsonaro, houve uma inundação de autorizações para mineração. A consequência é o impacto para as populações que vivem nessas áreas, em sua maior parte localizadas no estado de Minas Gerais. “A gente pode falar da questão dos ruídos, da questão do pó relacionado com esse tipo de extração, da questão do aumento de transporte desse mineral, e tudo que está associado com grandes projetos de infraestrutura. O que a gente tem acompanhado é isso: mudam o tipo de empreendimento, mas não mudam as consequências e as implicações territoriais”, pontua.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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