A cerca de um mês e meio do primeiro turno das eleições, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Minas Gerais, realizou, na quarta-feira (19), um ato político-cultural de lançamento da Brigada Estadual de Mobilização Popular do MST. O encontro contou com a participação de candidatos, artistas, políticos, intelectuais e integrantes dos movimentos populares mineiros.
O lançamento se deu em frente ao Centro Popular de Educação e Cultura Carolina Maria de Jesus, localizado na Rua Sapucaí, coração da capital mineira. De acordo com o movimento, esta é mais uma chance de defender que só através da mobilização popular é possível transformar a realidade.
“O intento é que nós tenhamos, com essa brigada, condições de que a nossa militância possa debater com todo o povo, nas igrejas, nas fábricas, no comércio, nos pontos de ônibus, e ajudar o povo a entender o que é que tá em jogo nesse momento e não cair nas mentiras da direita”, explica Silvio Netto, coordenador estadual do MST em Minas Gerais.
A brigada é composta por militantes do MST de todas as regiões do estado, que no próximo período se deslocam para os grandes centros mineiros. Segundo o coordenador, o grupo traz toda a animação, coragem e disposição do movimento para essa tarefa. O coletivo realizará, nos próximos 45 dias, ações com enfoque em Belo Horizonte e outras cidades polo mineiras.
Apoio às candidaturas de esquerda
Após dois mandatos consecutivos com o governo de Minas encabeçado por Romeu Zema (Novo), e agora por Mateus Simões (PSD), seu substituto, a esquerda tem o desafio de vencer as eleições no Executivo e ampliar a bancada progressista nas casas legislativas.
Durante o ato desta quarta, diversos movimentos sociais que compõem o campo popular reiteraram o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo estadual.
“Eu acompanho o MST há quase 40 anos, tenho uma história muito ligada ao movimento. Estamos aqui para reafirmar os nossos compromissos com a produção de alimentos saudáveis, com a função social da terra, com a agricultura familiar e com as pessoas que trabalham no campo e que não tiveram ainda acesso à terra”, afirmou Patrus Ananias, ao Brasil de Fato MG, durante o evento.
Conforme explicou o petista, o governador não faz reforma agrária, sendo essa uma questão do governo federal.
“Mas, reelegendo o presidente Lula, nós vamos trabalhar juntos para efetivarmos esses compromissos”, defendeu Ananias.
Por sua vez, durante o evento, os diversos candidatos ao legislativo presentes expressaram seu compromisso com os movimentos populares e reafirmaram a luta pela consolidação da Reforma Agrária Popular. Estiveram no ato e fizeram coro a essa promessa Macaé Evaristo (PT), Rogério Correia (PT), Bela Gonçalves (PT), Iza Lourença (Psol), Bruno Pedralva (PT) e Maria da Consolação (Psol).
A animação da mobilização ficou por conta da música de Giancarlo Borba, Sol Bueno e Cinara Gomes.
A soberania em pauta nessas eleições
Além da disputa imediata com as candidaturas de extrema direita, a nível federal e estadual, o MST propõe a brigada como uma forma de “impedir a volta do fascismo e de um projeto de morte, defendendo a soberania nacional e as conquistas e direitos do povo brasileiro”.
“Nós nos comprometemos, nesse ato, a lutar para garantir a soberania nacional e fazer frente ao imperialismo a partir da tarefa eleitoral que temos pela frente”, expôs, ainda, o coordenador do movimento.
Na mesma toada, Patrus ressaltou, em sua fala, que esta não é uma eleição ganha, “seja no plano nacional, com o presidente Lula, seja no plano estadual com a nossa candidatura”. Para ele, será necessária muita mobilização social e trabalho militante.
“Vamos, por todas as regiões do nosso estado, levar a nossa mensagem e o nosso compromisso com a vida, com as políticas públicas que promovem a saúde, a educação, que garante a preservação ambiental, que preservam as fontes da vida”, concluiu o petista.
