Pelo menos 95 pessoas morreram nesta quarta-feira (26) após fortes inundações atingirem áreas próximas à fronteira do Nepal com a China. O balanço foi divulgado pela polícia nepalesa e deve aumentar ao longo do dia, diante das buscas por desaparecidos.
Segundo o porta-voz da polícia, Abi Narayan Kafle, 28 policiais estão entre os desaparecidos. O Departamento de Turismo do Nepal também informou que 384 viajantes foram dados como desaparecidos nas áreas atingidas, sendo 341 estrangeiros.
Uma avalanche de lama e escombros rompeu a margem de um rio, soterrando construções e arrastando veículos e casas. Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostram a força da água no distrito de Rasuwa, onde a correnteza levou parte das estruturas construídas às margens do rio.
A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida de uma das principais rotas de trekking do Nepal, além de áreas utilizadas por pessoas que fazem a peregrinação hindu até Kailash Mansarovar.
Em Nuwakot, uma das localidades afetadas, o professor Suman Chalise, de 34 anos, relatou ter visto a correnteza levar caminhões, casas e pessoas.
“Vi quando as águas arrastaram oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas”, contou à AFP. “Foi absolutamente desolador. Fui testemunha de uma devastação de uma magnitude que nunca tinha visto nada igual.”
As autoridades nepalesas ainda avaliam a extensão dos danos. Equipes de emergência realizam buscas por sobreviventes e desaparecidos, enquanto moradores próximos às margens dos rios foram orientados a deixar as áreas de risco.
Deslizamento no lado chinês
A imprensa estatal chinesa informou que um deslizamento de terra na região de fronteira, no lado do Nepal, provocou “muitas vítimas” e deixou pessoas desaparecidas na região de Gyirong, no Tibete.
O presidente da China, Xi Jinping, determinou uma operação de resgate em larga escala. Segundo a emissora estatal CCTV, ele afirmou que a prioridade é localizar e retirar os desaparecidos, atender os feridos e reduzir o número de vítimas.
As inundações e os deslizamentos de terra são recorrentes durante a temporada de monções no Nepal e em outras regiões do sul da Ásia. Cientistas apontam que as mudanças climáticas contribuem para o aumento da intensidade e da frequência de eventos extremos.
