Obra recordista

Como a Ponte Pingtang transformou a vida de minorias étnicas e impulsiona o turismo na China

Com torre de concreto mais alta do mundo, megaconstrução conectou regiões isoladas e dinamizou a economia local

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"Ponte do Céu" no condado de Pingtang, na Prefeitura Autônoma Buyei e Miao de Qiannan, província de Guizhou, China. 5 de agosto de 2026
“Ponte do Céu” no condado de Pingtang, na Prefeitura Autônoma Buyei e Miao de Qiannan, província de Guizhou, China. 5 de agosto de 2026 | Crédito: Mauro Ramos / Brasil de Fato

A Ponte Pingtang, localizada no interior da província de Guizhou e erguida para conectar comunidades das etnias da região, tem o recorde mundial de torre de concreto mais alta e recebeu quatro prêmios internacionais de engenharia civil. A obra foi inaugurada em 31 de dezembro de 2019 e integra a rodovia que liga Pingtang e Luodian, no sul da província. O tempo de viagem entre esses dois condados despencou de duas horas e meia para apenas uma hora.

Com cerca de 38,5 milhões de habitantes, Guizhou é a província com mais pontes da China: são mais de 30 mil, construídas ou ainda em construção. Em número de túneis rodoviários, ocupa o terceiro lugar nacional, com quase 3 mil. A província necessita dessas infraestruturas, pois tem 92,5% do seu território coberto por montanhas e colinas.

A ponte mais emblemática fica no condado de Pingtang, na Prefeitura Autônoma Buyei e Miteao de Qiannan. Tem 2,1 km de extensão e três pilares. Um deles é o recordista, com 332 metros de altura, o equivalente a 110 andares.

A reportagem do Brasil de Fato esteve na região e conversou com Shen Mingxuan, professor da Universidade de Guizhou e chefe do departamento de engenharia de estradas, pontes e túneis. Ele fala sobre a importância da obra: “Antes da construção da ponte, ir de um lado ao outro significava percorrer a estrada sinuosa lá no fundo da montanha, o que levava muito tempo”, diz.

“Comunidades de minorias étnicas vivem em ambas as margens do vale. Depois que a ponte ficou pronta, as condições de transporte para esses grupos melhoraram significativamente. O que levava mais de uma hora pode ser feito em poucos minutos”, conta Shen.

Os prêmios internacionais de engenharia civil recebidos pela obra foram a Medalha Gustav Lindenthal, o Prêmio de Projeto da Federação Internacional de Engenheiros Consultores, o Prêmio de Infraestrutura Notável da Associação Internacional de Pontes e Engenharia Estrutural, e o Prêmio Luban de 2023, a maior honraria da engenharia civil chinesa.

O projeto incorpora elementos dos povos locais, principalmente dos Buyi, uma das 56 etnias da China. O contorno dos pilares reproduz o perfil das saias. “Você deve ter notado a cor azul característica da ponte; essa tonalidade se inspira nos trajes tradicionais das minorias étnicas locais, conferindo à estrutura traços culturais regionais marcantes”, conta Shen.

Depois de a ponte ter ficado pronta, um complexo com hotel, área de camping, museu de engenharia e um observatório astronômico foi instalado perto dela, sendo o primeiro projeto nacional que visa promover o turismo em torno de uma ponte.

“Nos últimos anos, as estatísticas mostram que um grande número de turistas para nesse posto durante os feriados”, diz Shen. “Eles vêm para ver a ponte e gastam dinheiro na região, impulsionando o crescimento econômico regional.”

Segundo Shen, nos últimos anos todos os condados passaram a ter acesso a rodovias expressas e todas as cidades de nível de prefeitura estão conectadas ao trem de alta velocidade.

“A melhoria do transporte traz ondas de turistas”, diz o professor. “Jovens que vivem nas montanhas podem sair de áreas remotas em busca de oportunidades. Produtos agrícolas da região também passaram a ser transportados para fora das montanhas de forma mais eficiente.”

Editado por: Gia Matheus Almeida

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