REVOLUÇÃO CUBANA

João Pedro Stédile e Maria Valéria Rezende debatem Cuba e resistência em encontro na UFPB nesta sexta (28)

Plenária discute bloqueio dos Estados Unidos, solidariedade internacionalista, saúde e educação na ilha

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Atividade na Ufpb reúne militantes para discutir Revolução Cubana e solidariedade internacionalista
Atividade na Ufpb reúne militantes para discutir Revolução Cubana e solidariedade internacionalista | Crédito: Card | Divulgação

A Universidade Federal da Paraíba recebe, nesta sexta-feira (28), em João Pessoa, um encontro que reunirá João Pedro Stédile, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e a escritora e educadora Maria Valéria Rezende para discutir a resistência do povo cubano, a Revolução Cubana e os impactos atribuídos ao bloqueio econômico e à política dos Estados Unidos contra Cuba.

A atividade, intitulada “Encontro sobre Cuba: a solidariedade é a ternura dos povos”, irá promover um debate sobre soberania, solidariedade internacionalista, educação, saúde e as experiências de transformação social construídas na ilha. Em um ano marcado pelo centenário de nascimento de Fidel Castro, o encontro será também uma oportunidade para revisitar experiências de luta e solidariedade que atravessam gerações e fronteiras. A atividade está prevista para as 19h, no Auditório 411 do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes.

A relação entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e Cuba foi construída ao longo de décadas e inclui intercâmbios políticos e experiências de formação de militantes. Neste mês, João Pedro Stédile esteve em Havana para participar de atividades relacionadas ao centenário de nascimento de Fidel Castro.

O centenário de nascimento de Fidel Castro foi celebrado oficialmente em Cuba no dia 13 de agosto. Atividades foram realizadas no país e em diferentes partes do mundo para marcar os 100 anos do nascimento do líder da Revolução Cubana.

Dilei Schiochet destaca resistência e solidariedade

Segundo Dilei Schiochet, uma das organizadoras da plenária, o encontro pretende recuperar a trajetória histórica de resistência do povo cubano e discutir as condições enfrentadas atualmente pela população.

“O objetivo da plenária é recuperar todo o resgate histórico, de resistência e a real situação do povo cubano. São mais de seis décadas que o povo cubano insiste e resiste ao bloqueio norte-americano. Imaginem, imaginemos um estado da Paraíba, um estado que você não pode, que é controlado, a economia, que são controladas as pessoas e que, todos os dias, em todos os seus momentos, em todos os seus anos, em toda a sua história, esse povo foi sempre ameaçado e sofreu graves bloqueios econômicos, prejudicando toda uma população, que é o povo cubano”, afirmou Schiochet.

A dirigente também relacionou o encontro à atual crise energética enfrentada por Cuba e às tensões provocadas pela política externa dos Estados Unidos. Neste mês de agosto, Cuba enfrentou um novo apagão nacional, em um contexto de dificuldades no abastecimento de combustível e de problemas em uma infraestrutura energética considerada envelhecida.

Dilei afirmou que a situação atual reforça a necessidade de manifestações de solidariedade internacional.

“O povo cubano atualmente passa por um momento muito difícil, de uma crise energética, de ameaças constantes pela política do Trump. Então, e como nós dizemos, a solidariedade é a ternura dos povos, nesse momento nós temos que ser sempre ternos e solidários. O povo cubano fez a sua revolução e foi o povo mais solidário que possamos imaginar e avançou muito na ciência, principalmente na medicina”, declarou.

Saúde e educação aparecem no debate

A atuação de profissionais cubanos em ações de cooperação internacional ganhou destaque, especialmente na área da saúde. No Brasil, a vinda de médicos cubanos no Programa Mais Médicos foi viabilizada por meio de um acordo de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2017, o programa contava com 8.553 médicos cubanos, que atuavam em milhares de municípios brasileiros.

Dilei citou ainda a atuação cubana em processos de alfabetização e mencionou o método “Sim, eu posso”, criado em Cuba e posteriormente utilizado em outros países.

“Em vários países da África, do Brasil também vieram muitos médicos cubanos prestar solidariedade aos povos em momentos difíceis, de guerra estão lá, então é um povo sempre diz que a solidariedade é um ato de amor, é um ato revolucionário. E Cuba sempre acolhe os filhos e filhas latino-americana. Cuba nunca admitiu o analfabetismo, por isso criou um programa ‘Sim, eu posso’ que alfabetizou vários estados brasileiros, mas também na América Latina, em outros países”, afirmou ela.

O programa de alfabetização citado na fala é reconhecido em registros da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Segundo a organização, o “Yo, Sí Puedo” foi implementado em mais de 30 países e recebeu, em 2006, o Prêmio de Alfabetização Unesco-Rei Sejong.

Bloqueio dos Estados Unidos está no centro da discussão

A discussão sobre o bloqueio econômico ocupa lugar central na atividade. Em outubro de 2025, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, por 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções, uma resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba.

A votação não encerra o embargo, uma vez que a resolução da Assembleia Geral possui caráter político e não obriga os Estados Unidos a alterar unilateralmente sua política. A Reuters informou, na ocasião, que a medida norte-americana permanece em vigor desde o período da Guerra Fria.

“Nós estamos convocando todos os militantes, estarão presentes os agentes populares, a militância, todas as pessoas que ainda visualizam que as mudanças estruturais de um país e que acreditam ainda que outro mundo é possível, que a gente só vai reconstruir um país socialista para ter igualdade. Então virão todos os militantes ainda que acreditam no processo de revolução, que acreditam em novas relações humanistas e socialistas”, afirmou Dilei.

Editado por: Cida Alves

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