O número de fumantes brasileiros vem crescendo, especialmente entre os mais jovens. Atualmente, 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional, contra 9,3% em 2023. Entre jovens de 16 a 24 anos, a proporção atingiu 19%, a maior taxa de consumo de cigarros comuns ou eletrônicos entre todas as faixas etárias do país.
Este sábado (29) é o Dia Nacional de Combate ao Fumo e, diante das estatísticas, Mariana Pinho, coordenadora do programa de controle do tabaco da ACT Promoção da Saúde, aponta a saborização de cigarros como uma das principais explicações para a adesão dessa faixa etária. “O tabagismo é uma doença pediátrica. 90% dos fumantes começaram antes dos 19 anos”, resume. Ela destaca a necessidade de buscar formas de falar com o público jovem.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, ela destaca que a saborização é uma estratégia antiga e eficiente da indústria tabagista, pois torna o fumo mais agradável ao paladar dos iniciantes. “Aromas, mentol, frutas, baunilha, chocolate, melancia e todos os outros sabores e substâncias são adicionados ao cigarro para tornar a experiência menos desagradável. Desde a década de 1970, ela [a indústria] usa esses aditivos. Eu não sei se alguém aqui se lembra ou já deu uma primeira tragada: tem a fumaça que é quente. Se não tivesse isso [os sabores], seria desagradável. E muitas pessoas nem começariam, nem continuariam a fumar”, avalia.
Outra medida importante para inibir o consumo de cigarro é o aumento de preços a partir da tributação do produto, que ocorreu com ajustes do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) adotados em 2011 até 2016. “É a medida isolada mais eficaz para inibir o consumo. As pessoas deixam de fumar, não começam a fumar. Em 2016 não teve reajuste e passamos um período até 2024 sem nenhum aumento. Naquele ano, o cigarro chegou a R$ 6,50, que é hoje o terceiro mais barato das Américas”, pontua. “Ainda tinha espaço para aumentar o preço do cigarro. Ele ficou mais acessível, ficou mais fácil de comprar.”
Um terceiro ponto destacado por Mariana Pinho é a entrada do cigarro eletrônico no mercado brasileiro. A especialista observa que há estudos que mostram que uma pessoa que experimenta cigarro eletrônico tem “de três a quatro vezes mais chances de se tornar fumante”.
“São fatores que devem ter contribuído para, infelizmente, a gente quebrar essa descida [no número de fumantes]. É uma pena”, afirma.
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
