LUTA SOCIAL

32º Grito dos Excluídos: plenária nesta quarta (2) organiza mobilização em defesa da soberania e da democracia

Encontro acontece no auditório do Sintect-PB, e deve reunir sindicatos, movimentos populares e organizações políticas

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Mobilização ocorre diante da gravidade do atual cenário político e econômico brasileiro
Mobilização ocorre diante da gravidade do atual cenário político e econômico brasileiro | Crédito: Card | Divulgação

Representantes de sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais e organizações do campo progressista reunem-se nesta quarta-feira (2), às 17h, no Sindicato dos Trabalhadores dos Correios da Paraíba (Sintect-PB), em João Pessoa, para uma plenária popular de preparação para o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas. O encontro terá como objetivo discutir a organização da mobilização prevista para o dia 7 de setembro.

De acordo com Tony Sérgio, secretário-geral do Sintect-PB, a reunião pretende transformar a convocação do Grito dos Excluídos em uma ação organizada dos movimentos sindicais e sociais.

“A plenária terá como objetivo organizar nossa participação no Grito dos Excluídos. Vamos definir as intervenções, o horário de saída, as responsabilidades e o que cada movimento deverá levar para a atividade. A ideia é construir coletivamente essa mobilização, reunindo os movimentos e definindo como vamos atuar e levar nossas pautas para as ruas”, afirmou.

Ele acrescenta que a mobilização ocorre diante da gravidade do atual cenário político e econômico e afirma que as organizações pretendem denunciar os ataques externos aos interesses brasileiros.

“Então, o nosso objetivo, juntamente com a CUT-PB é estar chamando para intervir no Grito dos Excluídos, na defesa da democracia, da soberania nacional, contra os ataques que estão sendo perpetrados pelos Estados Unidos na economia nacional, no Brasil, obviamente com interesses escusos. E o nosso objetivo é ir para a rua nesse dia, levar os movimentos sindicais, chamar também os movimentos sociais para participar dessa atividade, denunciando essa situação, que o Brasil está sob esse ataque”, afirmou.

Para movimentos, mobilização deve partir dos territórios

A plenária também deverá discutir as pautas que serão apresentadas durante o Grito dos Excluídos na Paraíba. Para Gleyson Melo, do Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD), a mobilização possui importância histórica por ocorrer durante a Semana da Pátria e permitir que a população reflita sobre o significado da independência e da soberania.

“Essa plenária popular do Grito dos Excluídos é muito importante no momento que a gente está vivendo. Essa, salvo engano, é a 32ª edição do Grito dos Excluídos, que acontece sempre na chamada Semana da Pátria, a história do Grito da Independência, então, o que é de fato é ser independente, e qual é o verdadeiro grito que a gente precisa dar? comentou ele.

Melo também relaciona a preparação do ato à necessidade de fortalecer a organização popular nos bairros, universidades, igrejas, sindicatos e demais espaços de convivência. Para ele, a presença nas ruas seria resultado de um processo anterior de mobilização nos territórios.

“Então é preciso que a gente possa, a partir das periferias, colocar, se levantar, se organizar em cada lugar, em cada universidade, em cada igreja, em cada periferia, em cada sindicato. Então é fundamental que a gente consiga, os movimentos, no meio dessa possibilidade, inclusive, de um retorno do atraso, da política do atraso, do que a gente viveu esses anos, desde o golpe sofrido pela presidenta Dilma e depois com o governo de extrema direita, o governo impopular, o governo das elites, o governo do atraso, a gente vive essa oportunidade de quatro anos de um governo popular para que esse governo avance mais é necessário que a gente continue a lutar”, declarou.

Moradia, terra, saúde e soberania alimentar entre as pautas

Na avaliação de Melo, o Grito também funciona como espaço para convergência de reivindicações de diferentes movimentos populares. Ele cita a luta pela moradia, pela terra, pela soberania alimentar e por políticas públicas de saúde, além de demandas relacionadas ao abastecimento de água, saneamento e transporte.

“O grito é esse momento, esse espaço, o momento em que os movimentos precisam ir para a rua, levar as suas bandeiras, que todo ano levantam as bandeiras da moradia, que é o caso da Campanha da Fraternidade desse ano, o tema da questão da casa; a questão da luta pela terra, a soberania alimentar, segurança alimentar e nutricional, tudo o que envolve a questão da reforma agrária; a luta por saúde, a questão do avanço, a defesa do SUS, a luta para continuar avançando na saúde, e acesso à água, saneamento, transporte, então, muito precisa ser feito”, afirmou.

Ele acrescenta que, mesmo diante da existência de governos considerados populares pelos movimentos, a continuidade da organização de base é determinante para pressionar por avanços sociais.

“E eu acho que a grande mensagem é que, apesar do governo popular, o que vai fazer com que a gente avance continua sendo a organização popular de base e a luta a partir do próprio povo nos territórios, o povo se organizando para conseguir a sua verdadeira independência e, portanto, dando o seu grito de liberdade tão necessário a ser dado todos os dias”, afirmou.

Por que o Grito acontece no 7 de setembro

O Grito dos Excluídos e Excluídas é realizado desde 1995 durante a Semana da Pátria, com concentração das principais manifestações no dia 7 de setembro. De acordo com a organização nacional do movimento, a iniciativa surgiu a partir das discussões da 2ª Semana Social Brasileira, realizada em 1993 e 1994, e buscava dar continuidade ao debate sobre o país e sobre a participação popular na construção de alternativas sociais.

A escolha do 7 de setembro tem caráter simbólico. Conforme explica a própria organização, a manifestação procura estabelecer um contraponto à narrativa oficial da Independência do Brasil, levando às ruas reivindicações de grupos sociais que, segundo o movimento, permanecem excluídos dos espaços de decisão. A primeira edição ocorreu em 1995 e teria alcançado cerca de 170 localidades brasileiras.

O movimento mantém como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”. Para 2026, a organização nacional divulgou como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. A edição deste ano relaciona a defesa da soberania às pautas da terra, moradia, paz e enfrentamento à violência contra as mulheres.

A Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB) também aponta que a mobilização de 2026 pretende articular denúncias relacionadas ao feminicídio, ao déficit habitacional e ao cenário geopolítico internacional.

Editado por: Cida Alves

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