Quarto mandato

Discurso de Lula sinaliza postura de enfrentamento em novo governo, avalia Humberto Costa

Emendas parlamentares foi um dos embates pendentes apontados pelo senador, que é articulador da campanha do petista

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Convenção partidária, em São Paulo, lançou, oficialmente, candidatura de Lula e Alckmin
Convenção partidária, em São Paulo, lançou, oficialmente, candidatura de Lula e Alckmin | Crédito: Ricardo Stuckert

O senador Humberto Costa (PT-PE), um dos articuladores da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia que o discurso do presidente durante a convenção partidária de lançamento oficial da candidatura, ocorrida neste domingo (2), em São Paulo, sinaliza uma postura de maior enfrentamento em um eventual quarto mandato.

“Ele está sinalizando o que deve ser o próximo governo. Ele vai poder fazer importantes enfrentamentos que ele não pôde fazer agora, como, por exemplo, a questão das emendas parlamentares”, antecipou ao Brasil de Fato.

Durante a convenção, o presidente Lula fez falas demonstrando um distanciamento da linha que marcou a sua candidatura anterior, a qual apontava para um discurso mais centralista. “Acabou o Lula paz e amor, agora é o Lula porreta”, anunciou já no final do discurso. O petista fez questão de lembrar sua trajetória sindical e defendeu que o movimento de trabalhadores precisa a voltar a se fortalecer no Brasil.

Lula enfatizou também a importância simbólica de fazer o lançamento oficial da campanha no estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. O local foi cenário de grandes greves de metalúrgicos do ABC, no final da década de 1970 e início dos anos 1980, mobilização em plena ditadura militar. O evento ocorrerá no dia 16 de agosto, marcando o início oficial da corrida eleitoral.

Debates eleitorais e frente ampla

Humberto Costa pontuou ainda que Lula deve avaliar a participação em debates eleitorais. “Eu sempre tive a ideia de que é importante participar de todos debates, no entanto, este tipo de debate, com uma saraivada de agressões… Acho que ele vai ter que pesar muito bem se deve ir, se vale a pena discutir com [Ronaldo] Caiado, com um cara como esse Renan [Santos], completamente desqualificado. Tem que pensar bem”, ponderou.

Ao mesmo tempo, o evento deste domingo mostrou como a frente ampla criada em 2022 segue em vigor, mantendo nomes que aderiram à campanha apenas no segundo turno daquele ano, como Simone Tebet (PSB), que estava presente no palco da convenção.

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que vai tentar a renovação da sua vaga, é mais uma das figuras que esteve contra o presidente Lula em 2022 e, agora, aderiu à campanha desde o início.

“Desde que o presidente foi eleito procurei o vice [Geraldo] Alckmin e pedi minha inclusão no governo. Agora vou fazer campanha pelos candidatos do PT no Mato Grosso do Sul”, afirmou ao Brasil de Fato.

Além de PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, Psol, Rede, PSB e PDT também compõe a frente ampla deste ano.

Estiveram presentes figuras de peso destas siglas, como o presidente do PDT, Carlos Lupi; João Campos (PSB), prefeito do Recife; e Marília Arraes (PSB). A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata ao senado pela Rede em São Paulo, também compareceu.

Além deles, figuras do primeiro escalão do PT estiveram presentes, como ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, atual candidato ao governo de São Paulo; dos atuais governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), além da governadora Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).

Editado por: Monyse Ravena

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