As gravações de sessões do Superior Tribunal Militar durante a ditadura, que vieram a público no dia 17, colocaram em evidência a conivência da Justiça Militar com a tortura de presos políticos opositores ao golpe de 1964. O material reforça que a utilização sistemática da tortura, hoje, pelo aparato de segurança público brasileiro, é consequência da não punição de tais práticas por agentes do Estado no período ditatorial.
No entanto, o vice-presidente, Mourão, ironizou a possível investigação dos áudios. Ao ser questionado, respondeu, dando risada: “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo”. Uma grande ofensa ao direito à memória e à história do país. O episódio lamentável aconteceu após Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, debochar da tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão durante a ditadura.
A construção de um país se faz a partir da história de seu povo. O direito à verdade e à memória sobre a história brasileira precisam ser reivindicados para que aprendamos com os erros do passado. Para que não mais aconteçam. É necessário investigar e punir os crimes da ditadura militar para a construção de um presente e de um futuro no qual o Estado brasileiro não pratique violência contra seu povo.