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Vereadora, professora da rede municipal e presidente do PT em Foz do Iguaçu (PR)

Queremos diálogo e não despejos: moradia digna é um direito

Fingir que elas não existem nunca foi solução

“Queremos diálogo e não despejos. Nossa casa é nossa vida! Moradia digna é um direito!”. Essas frases ecoaram na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu durante a Audiência Pública das Ocupações, realizada na última quinta-feira (21). Em plena noite de semana, centenas de famílias lotaram a Casa do Povo para mandar um recado direto às autoridades: chega de tratar habitação como se fosse um problema menor. Moradia é um direito fundamental, e precisa ser respeitado.

Não consigo e não irei naturalizar o que vi e ouvi naquele plenário. Famílias inteiras que lutam há décadas, resistindo à truculência dos despejos e à invisibilidade de uma gestão municipal que não apresenta soluções. Muita gente está há 10, 15, 20 anos em cadastros que nada resolvem. O que recebem em troca são ações judiciais que empurram mães, crianças e idosos para as ruas. Essa não pode ser a resposta de uma cidade que figura entre os principais destinos turísticos do país.

Essa luta não é só de Foz. Ela reflete um cenário mais amplo do Paraná. Em várias cidades do estado, ocupações urbanas enfrentam os mesmos dilemas: falta de planejamento, especulação imobiliária predatória, despejos forçados sem alternativa digna. É o retrato de um modelo que prioriza os interesses do mercado e não coloca as pessoas no centro da política habitacional.

Mas há uma diferença quando olhamos para o nível nacional. O governo do presidente Lula recolocou a moradia como prioridade. O Minha Casa, Minha Vida voltou a contratar unidades, mais de 200 mil desde 2023, inclusive no Paraná. Em várias cidades do estado, já vemos canteiros de obras retomados e famílias começando a acreditar que terão acesso ao direito básico de morar com dignidade. Isso mostra que há outro caminho possível, que não passa pelo despejo, mas pela construção coletiva de soluções.

A audiência pública em Foz foi um ato de coragem e também de esperança. Reunimos moradores das ocupações Lagoa Dourada, Lagoa Azul, Pilarzinho, Unila, Vila Resistência II, Vila União e Paz, Bosque do Bubas e tantas outras. Cada relato foi um grito contra a injustiça, mas também um chamado à ação. Ali, deixamos claro que não aceitaremos mais a omissão.

Se a gestão municipal insiste em enxergar as ocupações como um problema, nosso mandato enxerga nelas pessoas de carne e osso, trabalhadores, cidadãos que merecem respeito. Fingir que elas não existem nunca foi solução. Apenas com diálogo, planejamento e políticas públicas sérias que vamos conseguir avançar.

Enquanto vereadora jovem, filha dessa cidade, tenho a obrigação de dizer: Foz e o Paraná precisam acompanhar o movimento que o Brasil já começou com o governo Lula. Precisamos construir um futuro onde nenhuma família durma com medo de ser despejada. Onde morar não seja privilégio, mas um direito garantido.

E é por isso que reafirmo: seguimos juntos, resistindo e lutando. Até que cada pessoa em Foz, no Paraná e no Brasil possa ter o seu lar respeitado e a sua dignidade assegurada.

Moradia digna é um direito, e nós não abriremos mão dele.

*Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

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