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O Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) é uma organização popular nacional que constrói a luta nas periferias das cidades grandes e médias do Brasil, promovendo a auto-organ...ver mais

Vamos ao ‘Grito’, pois ele é nosso!

Em 2022, não fosse o Grito, Bolsonaro sairia dos atos do 7 de setembro muito mais forte e quiçá terminasse o primeiro turno das eleições à frente de Lula

Pela 31ª vez, o 7 de setembro não é apenas o dia das comemorações oficiais da Independência de 1822, que – verdade seja dita – não suprimiu os laços de subordinação do Brasil e não atacou as raízes dos nossos problemas sociais, como a escravidão e a concentração de terras. Na mesma data, desde 1995, o povo organizado faz seu contraponto nas ruas com o Grito dos Excluídos, mostrando que um país livre e independente ainda está por ser conquistado. 

Em 2025, o lema é: “Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia”. Com ele, estimula-se a crítica ao capitalismo neoliberal, que, em sua sanha pelo lucro sem fim, naturaliza a devastação da natureza, a violência contra todas as formas de vida e a destruição da soberania popular. 

Nestes tempos de neoliberalismo, o Grito, menos permeável ao espírito de competição que se apoderou da esquerda, tem sido a manifestação que mais aglutina forças no calendário regular de lutas, que mais unifica e mais mobiliza. Oxalá outras datas, como o 20 de novembro, o 8 de março e o 1º de maio sejam contagiados pelo Grito dos Excluídos. 

Em 2022, não fosse o Grito, Bolsonaro sairia dos atos do 7 de setembro muito mais forte e quiçá terminasse o primeiro turno das eleições à frente de Lula. Naquele momento, o contraponto popular na rua, ainda que em desvantagem numérica, foi indispensável para animar a campanha que culminou na derrocada do miliciano. 

Em 2025, frentes populares, centrais sindicais e diversas organizações convergem para fazer do 7 de setembro um dia de defesa da nossa soberania nacional. O Grito ocorre justamente em um momento de ataques articulados pela família Bolsonaro, juntamente com o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump.

Ao mesmo tempo, o “Plebiscito Popular por um Brasil mais Justo” também faz do Grito sua data mais importante nas ruas, pautando o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a taxação dos super-ricos, com isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. 

Para o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), desde suas origens enraizado nas periferias, o Grito sempre acolhe nossas reivindicações por terra urbanizada, por trabalho com direitos, por alimentação saudável e por políticas públicas nas nossas comunidades, com participação democrática. Algumas vezes, territórios ocupados pelo MTD receberam a manifestação e dela fizeram uma oportunidade de resistência contra despejos e contra a violência do Estado sobre a população trabalhadora, negra e periférica. 

Que, mais uma vez, busquemos conquistar nas ruas a soberania e a liberdade que há séculos nos é negada pelos “de cima”. Que este 7 de setembro represente uma virada na trajetória da combalida esquerda brasileira e que outros dias de luta sejam contagiados pelo mesmo espírito de unidade e compromisso com as grandes questões da nossa vida nacional. 

Vamos ao Grito, pois ele é nosso!

*Wallace Oliveira é comunicador popular e militante do MTD em Minas Gerais. 

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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