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amor entre mulheres

A comunicação popular na construção de um imaginário sapatão

Avanços só foram possíveis graças às lutas dos movimentos sociais de lésbicas

29.ago.2025 às 11h24
Rio de Janeiro (RJ)
Camila Marins
A comunicação popular na construção de um imaginário sapatão

A comunicação popular sapatão desestabiliza o sistema heteropatriarcal capitalista e propõe línguas e linguagens para além da norma - Divulgação

Sapatão, lésbica, caminhoneira, entendida, fancha, sapatilha, sapa, e muitas outras palavras que representam as lésbicas. Se alguém gritar sapatão na rua, o que acontece? Se eu estiver em um grupo de amigas, vou responder com um sorriso abraçando a pessoa. Mas, na maioria das vezes é a representação do insulto, da violência, da lesbofobia. Um insulto que pode materializar assassinatos, violências e estupros corretivos. Nas redes sociais, não é diferente. Quando eu era adolescente, minha mãe comprava, de vez em quando, aquelas revistas “teen” que traziam a romantização da heterossexualidade compulsória [imposição da sexualidade heterossexual de maneira automática] e a padronização de corpos magros, brancos e hetero.

Lembro de uma novela em horário nobre na TV que apresentava entre os personagens, um casal de mulheres, mas que foram assassinadas em uma explosão. Nos anos 80 e 90, a representação de lésbicas era muito pejorativa. Éramos fetichizadas, apagadas e no caso de lésbicas negras, criminalizadas. Não tínhamos exemplos de lésbicas felizes, vivas e, simplesmente, existindo. Não que isso aconteça nos dias de hoje, embora tenhamos que reconhecer avanços.

E os avanços só foram possíveis graças às lutas dos movimentos sociais de lésbicas que, em muitos momentos históricos, se apropriaram da comunicação popular para afirmarem as reivindicações políticas. Durante a ditadura civil-militar, lésbicas organizadas do Grupo de Ação Lésbica-Feminista (GALF), em 1981, publicaram o primeiro impresso do jornal ChanacomChana que contou com uma entrevista com a cantora Angela RoRo. O Chanacomchana foi um jornal que circulou até 1987 e abordava as questões específicas das lésbicas e também sobre feminismos; além de promover encontros e organizar politicamente as sapatonas. O GALF deixou de existir em 1989. O 19 de agosto, dia do orgulho lésbico, surge como forma de denúncia das lésbicas que foram proibidas de venderem e distribuírem o jornal no Ferro’s Bar, em 1983. A data marca o levante das lésbicas contra a censura e a repressão. O que é pouco falado na História é que, para além da defesa dos direitos humanos e do caráter de denúncia da ditadura que reprimia e violentava as lésbicas, o ato marcou o direito à comunicação popular. Comecei a pensar sobre esse marco após as minhas pesquisas na dissertação de mestrado em políticas públicas em direitos humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) “Lesboescrevivências com Neusa das Dores: história, memória e luta sapatão no Rio de Janeiro”.

Jornal circulou até 1987 e abordava as questões específicas das lésbicas e também sobre feminismos – Reprodução

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Encontrei arquivos do boletim “Visibilidade”, produzido pelas integrantes do Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (Colerj) que organizaram o I Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), realizado no Rio de Janeiro, em 1996, que originou o 29 de agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. As duas principais datas de reivindicação política e memória coletiva sapatão são alicerçadas pela comunicação popular. O boletim “Visibilidade”, publicado nos anos 1990, trazia informações sobre políticas públicas, sobre economia (afinal, vivíamos as décadas do avanço do neoliberalismo), questões específicas sobre lesbianidades e poesias. Outras publicações também foram impressas como da Rede “Um Outro Olhar” e mais contemporâneas como Revista Alternativa L, Tia Concha e Revista Brejeiras, da qual sou uma das fundadoras e coeditora.

A Revista Brejeiras, publicação feita por e para lésbicas, surge, em 2018, na esteira de enfrentamento ao golpe político ao mandato da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff; o desgoverno de Michel Temer que avançou com reformas ultraliberais como a a Trabalhista e a Previdenciária; a prisão injusta do presidente Lula; e por fim, o pior dos golpes: o assassinato da vereadora Marielle Franco, com quem nós articulamos e construímos o projeto de lei da visibilidade lésbica, rejeitado no plenário da Câmara de Vereadores por apenas dois votos em 2017, inclusive com voto contrário do atual governador do Rio de Janeiro. Em janeiro de 2018, no aniversário de Cris Furtado, sem sinal de celular com vinho e as bençãos dos rios e das cachoeiras, eu, Luísa Tapajós e Roby Cassiano decidimos que iríamos fazer uma revista. Mais tarde, Laila Maria integrou a coletiva. Esse desejo surge da indignação diante do apagamento das lésbicas nos meios de comunicação. É comum em pautas LGBTQIAPN+, as fontes serem homens cis, gays e brancos num total apagamento misógino e lesbofóbico. Naquele momento, dissemos: “por que não nós a criar um veículo de comunicação?”

A Revista Brejeiras, publicação feita por e para lésbicas, surge, em 2018 – Reprodução

Num primeiro momento, aventamos a possibilidade de uma plataforma, mas não somos sapas tecnológicas e começamos, então, a desenhar as editorias das revistas (Salivando, Dedilhando, Nossos passos vêm de longe, Sapateando na Teoria, ClassiSapa). Saímos de lá com a proposta de pauta, mas não imaginaríamos que seríamos atravessadas pelo brutal assassinato de Marielle Franco. À época, nos organizamos nos atos de justiça e também na construção do 8M, onde sofremos lesbofobia, como acontece historicamente. Escrevemos a palavra “lésbica” na faixa para compor o mote político e uma das mulheres riscou com caneta vermelha e no momento de falas no ato, fomos colocadas como movimento popular, e não como movimento de mulheres, demonstrando que nós, lésbicas, não somos lidas como mulheres. Dessa revolta, decidimos a matéria de capa da primeira edição: “8M: e as sapatão” que contou com uma entrevista com a cantora Ellen Oléria. Imprimimos apenas 100 exemplares e nos primeiros 15 minutos do lançamento, que foi realizado em uma pizzaria da Lapa, os exemplares esgotaram. Hoje virou relíquia (risos). Imprimimos, depois, mais 500 e esgotaram também. Fomos para a segunda edição, cuja capa contou com a viúva de Marielle Franco, a atual vereadora Monica Benicio. Ampliamos a tiragem para 1.000 exemplares e também esgotou. Depois fizemos as edições “Lésbicas na Política”; “Lésbicas na Música”; “Amor em tempos de luta”; e a mais recente “Gatas/Sapas Extraordinárias 50+”. 

Ao contrário do que nos diziam à época de que o impresso estava falido, nós demonstramos na prática que o que estava falido era o modelo de narrativa única. Com suas edições esgotadas, a Revista Brejeiras desafiava (e desafia) o mercado editorial, produzindo comunicação popular sapatão e enfrentando o gargalo da falta de financiamento. Assim como as demais publicações,  a Revista Brejeiras atua como movimento político, construindo os movimentos feministas e lésbicos do Rio de Janeiro e do país. Um exemplo foi a coautoria do projeto de lei Luana Barbosa de enfrentamento ao lesbocídio que tornou-se lei em Niterói e foi replicado em diversos municípios e estados do Brasil.

A comunicação popular sapatão desestabiliza o sistema heteropatriarcal capitalista e propõe línguas e linguagens para além da norma, expandindo contatinhos que se materializam em redes de solidariedade e luta. Essas iniciativas são um sopro de esperança para as mais novas e as mais velhas na construção de um imaginário sapatão cujo motor seja o amor entre mulheres. 

Camila Marins é uma das fundadoras da Revista Brejeiras – Divulgação

*Camila Marins é jornalista, mestre em políticas públicas em direitos humanos pela UFRJ com a dissertação “Lesboescrevivências com Neusa das Dores: história, memória e luta sapatão no Rio de Janeiro”, uma das editoras da Revista Brejeiras, publicação feita por e para lésbicas e idealizadora do projeto de lei Luana Barbosa de enfrentamento ao lesbocídio e uma das fundadoras da Ocupa Sapatão.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo
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