O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) multou, mais uma vez, o Grupo JBS pela compra de gado criado em áreas embargadas por desmatamento ilegal na Amazônia. A fiscalização foi realizada no âmbito da terceira fase da Operação Carne Fria, que investiga empresas pela prática de lavagem de gado, considerada crime ambiental.
A unidade alvo de autuação fica em Tucumã (PA). Já em Marabá (PA), o frigorífico do Grupo JBS recebeu uma notificação. A empresa, maior produtora de carne bovina do Brasil, já foi sancionada nas etapas anteriores da operação do Ibama.
Em 2024, filiais da JBS no Pará foram multadas no valor inicial de R$ R$ 615,5 mil. Em 2017, na primeira fase da Carne Fria, o Ibama identificou a venda de 58 mil cabeças de gado de áreas embargadas. Desse total, 90% foi destinada aos frigoríficos da JBS em Redenção e Santana do Araguaia, no Pará.
A Operação Carne Fria realizou inspeções em 16 frigoríficos, dos quais seis foram autuados num valor total de R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado de propriedades interditadas por desmatamento ilegal.
Outros 12 foram notificados e seguem sob investigação por suspeita de triangulação de rebanhos. Essa prática consiste em transferir animais criados em áreas embargadas para propriedades “limpas”, a fim de emitir novas Guias de Trânsito Animal (GTAs) — o documento oficial para transporte animal no Brasil — e dar aparência de legalidade antes da venda a frigoríficos exportadores.
Esse tipo de fraude, conhecida como lavagem ou esquentamento de gado, é utilizada para burlar a fiscalização.
Os valores das multas aplicadas a cada empresa ainda não foram confirmados.
Inspeção nas propriedades rurais
Além dos frigoríficos, as equipes do Ibama realizaram fiscalização em 20 propriedades rurais nos municípios paraenses de São Félix do Xingu, Pacajá e Rondon do Pará, localidades com altos índices de desmatamento da floresta amazônica.
Nessas fazendas, foram identificados mais de 2,1 mil hectares de desmatamento ilegal. Os proprietários das áreas foram multados num valor total de R$ 49 milhões. Além disso, o Ibama apreendeu 7.061 cabeças de gado. O rebanho é avaliado em R$ 30 milhões.
As investigações da terceira fase da Operação Carne Fria tiveram início em março de 2025 e integram o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). As três fases da operação, realizadas em 2017, 2024 e 2025, já somam mais de 170 autuações e R$ 640 milhões em multas aplicadas.
Com o avanço da investigação sobre frigoríficos, o Ibama busca atacar não apenas o desmatamento ilegal, mas também os mecanismos que permitem a inserção de carne de origem ilícita no mercado.
A Brasil de Fato procurou a JBS para comentar o caso. Em nota, a empresa nega que tenha realizado compras da propriedade mencionada pelo órgão fiscalizador. “A JBS não realizou compras da fazenda Rancho Verde, indicada na autuação do Ibama. A JBS aguarda ter acesso ao relatório completo da fiscalização para fornecer informações ao Ibama.”