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Bella Gonçalves é a primeira deputada lésbica de MG (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, luta pelo direito à cidade e meio ambiente.

As conexões entre Zema e a família Vorcaro: quando o Estado serve aos bancos

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Às vésperas da reeleição de Romeu Zema, o Partido Novo recebeu R$ 1 milhão em doações de Henrique Vorcaro, | Crédito: Marcelo Casal Jr – Agência Brasil/divulgação Banco Master

Governo Zema já foi marcado por relações promíscuas entre interesses privados e decisões públicas

Denunciei a suspeita de troca de favores à Polícia Federal: às vésperas da reeleição de Zema, o Partido Novo recebeu R$ 1 milhão de Henrique Vorcaro; em 2022, Zema decretou expansão de crédito consignado em MG, beneficiando o produto “Credcesta”, produto vendido pelo Banco Master

Toc, toc, toc. É a Polícia Federal… Romeu Zema precisa explicar à PF e à população mineira suas relações políticas e financeiras com a família Vorcaro. Os fatos que vieram à tona nos últimos dias não apontam para simples coincidências entre empresários e campanhas eleitorais. O que aparece é um possível esquema de favorecimento político que merece investigação profunda e rigorosa.

E foi diante de indícios de troca de favores entre Zema e os Vorcaro que protocolei uma Notícia Crime junto à Polícia Federal, solicitando investigação sobre possível corrupção, favorecimento institucional e uso da estrutura do Estado para beneficiar interesses financeiros privados. Também solicitei medidas para proteger servidores públicos atingidos por operações potencialmente irregulares.

A denúncia mostra que, às vésperas da reeleição de Romeu Zema, o Partido Novo recebeu R$ 1 milhão em doações de Henrique Vorcaro, preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Seu filho, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, é apontado como figura central em um esquema bilionário que teria causado prejuízos imensos ao país e atingido mais de um milhão e meio de brasileiros.

O que chama atenção é que, pouco antes dessas doações, o governo Zema promoveu mudanças na legislação estadual de MG que ampliaram a margem de crédito consignado para servidores públicos estaduais. A Lei nº 23.923/2021 e o Decreto nº 48.370/2022 abriram espaço para expansão do chamado “cartão benefício consignado”, exatamente o modelo explorado pelo produto Credcesta, comercializado pelo Banco Master.

Não estamos falando de uma medida abstrata. Estamos falando de milhares de servidores públicos, aposentados e pensionistas que passaram a enfrentar descontos automáticos em folha, dificuldade para acessar contratos, retenção indevida de margem consignável e endividamento crescente. Enquanto trabalhadores viam sua renda comprometida, instituições financeiras ampliavam seus lucros com respaldo do Estado.

É dever das instituições investigar se houve troca de favores entre financiamento eleitoral e decisões administrativas tomadas pelo governo. Quando empresários que financiam campanhas passam a ser beneficiados por medidas do próprio poder público, há um evidente interesse público na apuração dos fatos.

Infelizmente, esse padrão não é novo. O governo Zema já foi marcado por relações promíscuas entre interesses privados e decisões públicas. O caso envolvendo Salim Mattar, financiador de campanha que posteriormente ocupou cargo estratégico e teve sua empresa beneficiada, já demonstrava uma lógica preocupante: empresários financiam projetos de poder e depois são recompensados com vantagens políticas, fiscais ou regulatórias.

A situação se repete no antro bolsonarista. O ex-presidente Jair Bolsonaro permitiu mudanças na legislação que beneficiaram da mesma forma o Banco Master, o que vem sendo revelado pelo caso Bolsomaster. 

A população mineira e brasileira merece respostas. Merecemos saber se houve favorecimento político e quem lucrou às custas do endividamento de servidores públicos.

A democracia exige transparência. E transparência exige investigação profunda, responsabilização e coragem para enfrentar interesses poderosos. Nenhum governante pode transformar o Estado em balcão de negócios. Seguiremos cobrando justiça.

Bella Gonçalves é a primeira deputada lésbica de MG (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, luta pelo direito à cidade e meio ambiente. 

Leia outros artigos de Bella Gonçalves em sua coluna no jornal Brasil de Fato MG.

Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

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