Olá, apesar da calmaria, os tempos não prometem tranquilidade.
.Sem céu de brigadeiro. Lula é o favorito nas eleições, mas a campanha mal começou. A vantagem do petista é a retomada das boas relações com o Centrão depois de diversas crises. Hugo Motta, por exemplo, abriu o voto em Lula, e Alcolumbre reaproximou-se de olho em sua futura reeleição à presidência do Senado e, talvez, em troca da indicação de Rodrigo Pacheco ao TCU. O resultado é que Lula é o único candidato a presidente com partidos aliados, um feito inédito na história da República, o que significa mais recursos, palanques estaduais e tempo de campanha na TV e nas rádios. Por outro lado, como já se esperava, Trump e a direita latino-americana estão aí para tentar atrapalhar o projeto de reeleição. Mas o resultado vai depender muito da habilidade do governo e da campanha petista de fazer desse limão uma limonada. A exemplo da sequência de críticas de quinta série que Milei tem feito a Lula, que pode mais ajudar do que atrapalhar o presidente brasileiro. Já o tarifaço dos Estados Unidos é um assunto mais delicado porque tem impactos econômicos relevantes. Por ora, o Itamaraty levou a questão para a OMC, onde recebeu o apoio da China, o que pode atenuar o tom eleitoral da medida imposta por Trump. A ideia é explorar as contradições internas do governo estadunidense, apoiando-se nos setores econômicos afetados pelas tarifas, e enfraquecer a ala ideológica de Marco Rubio, que sonha com uma nova versão da Doutrina Monroe. Para completar o quadro, o Planalto receia que a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia dê fôlego para a campanha da direita brasileira nas redes. Além dos problemas externos, Lula tem que gerir as pressões vindas do mercado, cujas controvérsias atingem sua própria equipe de campanha. O novo mantra da Faria Lima é o fantasma do descontrole da dívida pública. Neste debate encontra-se, de um lado, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que reconhece o problema e contemporiza com as preocupações do mercado, e, de outro, a ala dos economistas desenvolvimentistas, como Sérgio Gabrielli e Luiz Gonzaga Belluzzo, que criticam a austeridade, culpam as altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central e defendem a ampliação dos investimentos públicos.
.02 e o comando maluco. Se Donald Trump é o verdadeiro adversário, os problemas de Lula só não são maiores porque seus concorrentes eleitorais são fracos. Por mais espaço e repercussão que Caiado e Zema tenham na mídia, o desempenho dos dois ex-governadores até aqui é microscópico. Já Renan Santos, aplicando a fórmula de polêmicas e redes sociais do MBL em nível nacional, pode não crescer para chegar ao segundo turno, mas já ganhou a simpatia da Faria Lima. O que não é nenhuma surpresa, pois tanto o candidato quanto esses eleitores são gente branca e rica de São Paulo e provavelmente estudaram juntos na infância. Quanto ao líder da direita nas pesquisas, Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu criar um fato novo positivo em sua campanha. Ao contrário, além de dever explicações sobre o caso Dark Horse, Flávio apareceu nas manchetes por mentir no currículo sobre um curso de pós-graduação que nunca fez e por não conseguir registrar a candidatura, porque alguém o filiou no Missão, no endereço “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”. Curiosamente, a maior ajuda a Flávio tem vindo do principal alvo da sua campanha, o STF. Enquanto a base bolsonarista defende o impeachment de ministros e o próprio Flávio anuncia outras propostas para reduzir os poderes da Corte, os dois indicados por seu pai têm dado uma forcinha na campanha: Kassio Nunes Marques, relativizando sempre que o candidato do PL descumpre as normas eleitorais, e André Mendonça, que, quando não está trocando farpas com a PF, também passa um pano para as ações de Flávio no TSE.
.Ponto Final: nossas recomendações.
.Doutrina Donroe: a próxima etapa. Reunião de Trump com 60 governos do mundo aponta caminho para o retorno da supremacia estadunidense. No Outras Palavras.
.Infográfico mostra como o tarifaço mudou o mapa das exportações brasileiras aos EUA. Levantamento do G1 revela quais estados perderam e quais ganharam espaço no mercado estadunidense.
.Uma voz de luta e esperança: as visitas de Fidel ao Brasil. Pesquisa do Instituto Tricontinental mapeia o contexto e a repercussão das seis visitas do líder cubano ao Brasil.
.Desigualdade de renda persiste no Brasil, aponta relatório. O Observatório Brasileiro das Desigualdades revela o abismo econômico e social do país. No Correio Braziliense.
.O Rio nunca prendeu tanta gente de terno. No Intercept, Cecília Oliveira detalha as operações da PF que revelaram uma rede do crime organizado no Rio.
.Dez documentários brasileiros premiados para assistir no streaming. A Gama indica documentários dos últimos dez anos que estão disponíveis em plataformas.
*Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

