Carlos Castelo

Carlos Castelo é cronista, escrevinhador e sócio-fundador do grupo de humor Língua de Trapo.

Casteladas, a coluna dos aforismos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço: a frase curta, de alegria instantânea, a serviço do humor refinado. A coluna também publica crônicas — histórias compactas e irônicas que vêm, cutucam e partem.

Depois de Dois Papas, Dois Palhaços

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image_processing20200307-22076-ypkp8h-_1_ | Crédito: theghostdiaries.com

Esse Carioca não é humorista, no máximo é bobo da corte.

Estranhos tempos em que até as piadas nos entristecem.

Eu ficaria muito decepcionado se me vendessem a lucidez e depois me entregassem um hospício.

Se o Brasil fosse uma letra seria a Comic Sans.

O presidente não falará nenhuma besteira hoje. A agenda já está cheia.

“Não queremos comemorar 1964. Apenas rememorar algumas práticas do Torquemada.”

Escrita criativa mesmo é fazer o Imposto de Renda e não cair na malha fina.

A economia brasileira vai de vento em proa.

Olhe à sua volta. Viu como é tudo uma ilusão de ética?

A situação no picadeiro estava feia.  Além do circo pegar fogo, ainda descobriram que a mulher-barbada era um hipster.

Somos uma república das bananas que virou um abacaxi azedo feito limão.

Placa na entrada da sala do presidente da república: “entre sem debater”.

A arte brutalista é a única que receberá apoio da Secretaria da Cultura. 

Se Deus for brasileiro deve estar morrendo de vergonha.

Não teve ditadura: anistia ampla, geral e irrestrita foi só o nome de um show do Benito de Paula.

Ou restaure-se o dólar ou depauperemo-nos todos!

Editado por: Katia Marko

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