Carlos Castelo

Carlos Castelo é cronista, escrevinhador e sócio-fundador do grupo de humor Língua de Trapo.

Casteladas, a coluna dos aforismos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço: a frase curta, de alegria instantânea, a serviço do humor refinado. A coluna também publica crônicas — histórias compactas e irônicas que vêm, cutucam e partem.

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jeque e bolsonaro
Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, começou a surgir na mídia como um cavalo selvagem correndo por Brasília. Ou seria um jegue? | Crédito: Freepik

Dark Horse não é apenas um filme. É um meme elevado à sétima arte

Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.

§ Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, começou a surgir na mídia como um cavalo selvagem correndo por Brasília. Ou seria um jegue? Assista e julgue.

Dirigido por um cineasta anônimo, talvez por vergonha, o filme propõe uma releitura shakespeariana do bolsonarismo. Isso se Shakespeare tivesse tomado litros de energético e assistido Rambo, sem parar, por 72 horas seguidas.

A fotografia é atordoante: cada plano é tão surreal quanto um golpe de Estado comandado pelo general Heleno. A trilha sonora, composta de áudios de WhatsApp, atinge o espectador com a força de uma dose de cloroquina na veia.

Bolsonaro é retratado como um anti-herói, em um Estado forte, mas de lógica ausente. A cena em que ele debate com uma ema do Alvorada sobre liberdade de expressão transcende a estética do cinema e entra pela filosofia de Olavo de Carvalho. Outro momento marcante é o do deputado Nikolas instalando um para-raio na cabeça.

Dark Horse não é apenas um filme. É um meme elevado à sétima arte. E, como todo clássico contemporâneo, termina sem sentido, mas com uma bandeira do Brasil tremulando ao som de um berrante.

BOICOTE

§ Senhoras e senhores, começou e terminou agora, ao vivo, a Copa do Mundo de 2026! Um evento tão rápido que o VAR nem teve tempo de errar.

O motivo foi o boicote mundial. Pois é, graças ao retorno de Donald Trump à cena política, todos os países desistiram do torneio. Inclusive o Catar, que até semana passada nem sabia que já tinha acabado a Copa de 2022.

Restaram apenas os Estados Unidos, anfitriões, e a Argentina, que só veio pela amizade de Milei a Trump.

O estádio está completamente vazio, exceto por Trump, que insiste em narrar o jogo com um boné escrito Make Soccer Yankee Again. Messi, convocado aos 39 anos de idade, jogou tomando chimarrão e marcou o gol da vitória.

Fim da Copa! A Argentina é campeã, os Estados Unidos protestam dizendo que foram vítimas de “fake soccer”. E uma medida é tomada imediatamente: o ICE, a Gestapo estadunidense foi acionada e já está dentro de campo. A deportação da Seleção argentina começará em instantes.

E assim termina a Copa mais curta e vazia da História do futebol. E podem esperar, ouvintes: os Estados Unidos vão aumentar as tarifas recíprocas para a Argentina. Olé!

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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