Rebeca, Rayssa, Bia, Mayra, Ana Marcela, Martine, Kahena, Laura, Luísa, Macris, Gabi, Fernanda… os nomes são tão diversos quanto as origens, mas o que todas essas meninas e mulheres brasileiras têm em comum é o protagonismo que assumiram durante os jogos olímpicos de Tóquio e o orgulho que despertaram em todas nós. Foram precisos 125 anos para que as Olimpíadas pudessem quase alcançar a equidade de gênero – 49% a 51% –, mas apenas 17 dias para as mulheres provarem que não estão na disputa para fazer papel de coadjuvante.
Elas subiram ao pódio nove vezes, duas a mais que no Rio de Janeiro, mesmo com menos investimentos, emplacando uma representatividade que, certamente, vai gerar repercussões muitos positivas num futuro próximo. E se esses foram os jogos das mulheres, também foram os da diversidade e da inclusão. Nunca as inúmeras qualidades do Nordeste ficaram tão em evidência nos jogos quanto em Tóquio. Das sete medalhas de ouro, quatro foram conquistadas por nordestinos e nordestina. Se o Nordeste fosse um país, teria ficado na frente da Espanha e da Suíça no quadro geral. Alguém ainda duvida do valor dessa gente bronzeada, prateada, dourada?
Se representatividade é tudo, ver uma mulher lésbica com uma medalha de ouro no pescoço e envolta na bandeira da qual o fascismo tupininquim tenta se apropriar não tem preço. Ainda mais depois de ter vencido 10 quilômetros de mar no braço! Também é imensurável o valor da conquista de uma menina negra da periferia de São Paulo em cujo peito descansou o primeiro ouro olímpico do Brasil na ginástica artística.
Para além das nossas fronteiras, quem não se comoveu com a bravura de Sifan Hassan, uma refugiada etíope que conquistou três medalhas para a Holanda no atletismo? Essas pessoas, que são obrigadas a deixar seus países e costumam ser tratadas como indesejadas onde chegam mostram, com um misto de firmeza e delicadeza, que estão longe de serem somente um fardo.
Também celebramos o feito da jogadora de futebol canadense Quinn, primeira atleta trans a ganhar uma medalha (e de ouro!). Todas essas mulheres bradam aos quatro ventos que não existe lugar que elas não possam ocupar e que chegaram para ficar. Só precisam de mais investimentos e oportunidade para brilhar.
Parafraseando o inesquecível Moraes Moreira, baiano como tantos vencedores dessas Olimpíadas, se eu ganhasse o mundo inteiro, de Rebeca a Ana Marcela; de Martine a Mayra, a bravura de Bia e a simpatia de Rayssa, só faria poesia para essas meninas do Brasil! Todas elas têm a cor da formosura.
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