Cida Pedrosa

Cida Pedrosa é advogada, poeta, escritora vencedora do Prêmio Jabuti 2020 e vereadora reeleita no Recife, pelo PCdoB.

Gaza também é aqui

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A violência foi e é invocada em defesa da raça superior, da superioridade branca, da ordem patriarcal, da família tradicional, do povo, da nação, das “pessoas de bem” e pelo restabelecimento da ordem perdida | Crédito: © Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil, pelo menos aquele que ainda tem empatia, olha, estarrecido, o tapete de mortos cobertos com lençóis coloridos

A fila de mortos, cobertos com lençóis coloridos, invade nossa sala e diz que a escravidão não acabou.

O padre preto, de batina negra, chora no asfalto cheio de mortos e reza um Pai Nosso com as pessoas pretas que choram e clamam por justiça.

O pastor e deputado de direita, também preto, chora na tribuna e diz que se um preto de chinela havaiana e sem camisa correr na favela é morto pela polícia.

Seus jovens fiéis, sem passagem pelo sistema de segurança, foram mortos sem direito a perdão.

Uma mãe preta e pobre mostra à câmera de TV a carteira de trabalho do seu filho preto enquanto, desesperada, aponta a fila de mortos estirados na praça da comunidade.

Uma tia afirma que viu o corpo do sobrinho sem um único tiro, mas com a cabeça de cabelos vermelhos degolada, como degolados foram Zumbi, Antônio Conselheiro e Osvaldão, revolucionários.

Castro, o facínora travestido de governador do Estado da Guanabara, afirma em entrevista coletiva que só morreram quatro pessoas inocentes.

Governadores, políticos de direita e os fascistas de plantão aplaudem.

O Brasil, pelo menos aquele que ainda tem empatia, olha, estarrecido, o tapete de mortos cobertos com lençóis coloridos e sente o afeto da população da Penha.

O Tio Sam espreita, pronto para criar narrativas macabras, igual fez com a Venezuela, na expectativa de invadir o Brasil em busca das terras raras.

Gaza também é aqui.

Editado por: Vinicius Sobreira

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