Cidade das Letras: literatura e educação

A coluna Cidade das Letras: literatura e educação é mantida por Luciano Mendes de Faria Filho, que é pedagogo, doutor em Educação e professor  da UFMG, e por Natália Gil, que é pedagoga,  doutora em Educação e professora da UFRGS. A coluna traz contribuições ao debate público sobre educação e literatura no país.

Trabalho e educação na obra de Gaudêncio Frigotto: a urgência da resistência

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A educação não pode servir apenas ao mercado ou à lógica da empregabilidade, mas deve ser um instrumento de formação humana integral | Crédito: Ministério da Educação/Arquivo

A educação não pode servir apenas ao mercado

 Por Fernandes Reis e Fernanda Cristina Salviano dos Santos Silva

A educação brasileira é um espelho nítido das fraturas e desigualdades que marcam a nossa formação social. Historicamente, o sistema de ensino do país impõe uma lógica dual e excludente: de um lado, resguarda-se uma formação humanista e propedêutica para a elite; de outro, oferece-se uma instrução instrumental, ligeira e rebaixada para a classe trabalhadora. É contra essa fragmentação que se ergue o pensamento de Gaudêncio Frigotto.

Para o intelectual gaúcho, um dos maiores nomes da educação crítica no país, a escola não pode se curvar aos ditames do mercado ou à falácia da “empregabilidade”, que joga nas costas do indivíduo o peso do desemprego estrutural. Frigotto nos ensina que a educação deve ser um instrumento de formação humana integral, aquela que permite ao sujeito compreender a totalidade das relações sociais e produtivas em que está inserido, transformando o trabalho de espaço de exploração em princípio educativo. 

A educação não pode servir apenas ao mercado ou à lógica da empregabilidade, mas deve ser um instrumento de formação humana integral, que permita ao sujeito compreender a totalidade das relações sociais e produtivas.

Em um cenário de ofensiva neoliberal contra a escola pública, marcado por reformas que esvaziam o currículo da classe trabalhadora  como o Novo Ensino Médio  e por tentativas de privatização, evocar o pensamento de Frigotto deixa de ser um exercício puramente acadêmico e torna-se um ato de resistência política. Sua defesa de uma escola socialmente referenciada nos convida a formar cidadãos capazes de questionar, e não de apenas se adaptarem à barbárie da precarização.

É com o objetivo de oxigenar essa trincheira de luta que o programa Bibliografia Viva promoverá o debate Trabalho e Educação na obra de Gaudêncio Frigotto, reunindo pesquisadores para debater o legado do autor. Discutir essas ideias hoje, diante de tantos retrocessos, é entender que a disputa por uma educação crítica e democrática é indissociável da construção de um projeto de país soberano e popular.

O encontro, que acontece no dia 2 de julho, às 19h, pelo canal da ANPEd Nacional no YouTube, é mais do que um convite ao estudo: é um chamado à ação.  Participar deste debate é um gesto político. Reafirmar o pensamento de Frigotto é entender que a luta por uma educação crítica, democrática e socialmente referenciada é o caminho para a construção de um projeto de país soberano. Enquanto a educação for tratada pelas classes dominantes apenas como mercadoria e moeda de troca, a verdadeira emancipação humana permanecerá como um horizonte interditado, distante. Reafirmar suas ideias é, portanto, manter viva a chama da transformação.

Jaider Fernandes Reis é professor do curso de Pedagogia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Ibirité.

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Fernanda Cristina Salviano dos Santos Silva é estudante do curso de licenciatura História pela universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG)

Leia outras crônicas e artigos sobre educação e literatura na coluna Cidades das letras: Literatura e Educação no Brasil de Fato.

Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal

Editado por: Elis Almeida

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