Os seres humanos usam substâncias químicas para alterar sua consciência desde sempre. Há indícios paleontológicos que mostram que plantas, fungos e animais eram usados como drogas há milênios por nossos ancestrais. A biologia inclusive já observou o uso em outras espécies animais, como golfinhos e macacos.
Mas antes, você sabe o que é uma droga? É qualquer substância que quando inserida no organismo altera o seu funcionamento normal. Temos as drogas legalizadas, como o álcool, a nicotina, a cafeína e os remédios vendidos na farmácia. E temos aquelas consideradas ilegais, como a maconha e a cocaína.
Se as drogas são algo tão presente na história, é difícil imaginar uma sociedade sem elas. Provavelmente, continuaremos a fazer uso delas no futuro. Seja de forma terapêutica, seja para uso recreativo ou religioso.
Mas é inegável que o uso dessas substâncias pode trazer riscos e prejuízos à saúde. Principalmente quando usadas em excesso ou de forma incorreta.
Assim, há dois modos básicos de lidar com as drogas atualmente. A abordagem proibicionista defende que elas devem ser proibidas e criminalizadas. É a forma dominante hoje, que orienta a maioria das legislações e ações estatais no mundo.
Dos anos 1980 pra cá, surgiu a abordagem centrada na política de Redução de Danos (RD). Ela parte do reconhecimento de que há pessoas que não querem ou não conseguem deixar de usar drogas. E, ao invés de punidas, elas devem ser cuidadas, no sentido de se reduzirem os danos causados pelo uso dessas substâncias. Sejam danos sociais, físicos ou psicológicos.
A Organização Mundial da Saúde orienta a adoção de práticas de RD. No Brasil, desde os anos 1990, o SUS também segue essa orientação. Um exemplo clássico é a distribuição de seringas descartáveis para usuários de drogas para impedir a proliferação do vírus da AIDS entre essa população.
Diversos estudos científicos e revisões sistemáticas já demonstraram que a RD diminui a mortalidade dos usuários de drogas, a transmissão de doenças e aumenta a busca dessas pessoas por um uso mais consciente e seguro. Os críticos da RD argumentam que ela incentiva o consumo de drogas. Mas o que a ciência aponta é justamente o contrário. Que os sujeitos abandonam mais o uso quando acessam políticas de RD.
O carnaval está aí. Caso você opte por usar alguma droga, seja lícita ou ilícita, faça-o com responsabilidade e segurança. Informe-se sobre as principais medidas de RD relacionadas às substâncias que pretende usar. E um bom carnaval!
Um abraço e até a próxima!
Renan Santos é professor de biologia da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais
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