Se tudo correr bem, na noite de sexta-feira (10), os quatro astronautas enviados pela Nasa à Lua pousarão com segurança na Terra. Será o fim da missão Artemis 2, que marca o retorno de seres humanos às proximidades do nosso satélite natural após mais de 50 anos.
A viagem durou 10 dias. Três estadunidenses e um canadense partiram em um foguete no dia 1º de abril. Contornaram a Lua no dia 6, quando puderam observar o seu lado oculto. Iniciaram, então, a volta para a Terra, que se completará em 10 de abril.
A Artemis 2 não pousou em solo lunar. Mas é a missão que prepara a agência espacial dos EUA para isso, o que deve acontecer em 2028, na missão Artemis 4.
Os EUA pousaram 12 homens na Lua entre os anos de 1969 e 1972, em seis missões diferentes. Desde então, nunca mais um ser humano voltou lá. Por que isso ocorreu? Por que ficamos tanto tempo sem pisar na Lua? E por que agora queremos voltar?
A ida à Lua em 1969 fez parte da corrida espacial, disputada entre os EUA e a União Soviética, no contexto da Guerra Fria. Os dois países fizeram durante décadas uma disputa científica e tecnológica em torno da exploração espacial. De certa forma, isso justificou os imensos gastos e riscos das missões.
Com o pouso lunar, os EUA decretaram-se vencedores da corrida espacial (mesmo a URSS tendo realizado inúmeros feitos antes). Com o fim da Guerra Fria, a exploração espacial se voltou a outros objetivos, como o desenvolvimento do ônibus, de estações e satélites espaciais, e o envio de sondas não tripuladas a outros planetas. Ou seja, não voltamos à Lua durante esse tempo muito mais por motivos políticos e econômicos do que científicos.
Agora, há um novo interesse com a exploração lunar. A China promete enviar astronautas para lá até 2030. Dois pontos principais parecem justificar essa retomada. Primeiro, a instalação de bases permanentes, que sirvam de ponto de partida para viagens mais distantes, como para Marte. A água existente no polo sul lunar pode servir de matéria-prima para o combustível de futuras viagens ao planeta vermelho, por exemplo.
Além disso, a descoberta de minerais raros no solo lunar acendeu o interesse em torno da exploração mineral do satélite. Principalmente a existência do Hélio-3, um isótopo desse elemento muito raro aqui na Terra, mas relativamente abundante na Lua. A aposta é que tal mineral pode vir a servir como matéria-prima fundamental para o desenvolvimento de reatores de fusão nuclear, o futuro da geração limpa de energia. Cenas dos próximos capítulos!
Um abraço e até a próxima!

