Coluna da Juventude

A Coluna da Juventude é escrita por Ana Keil, Maria Clara Cristóvão, Moema Fiuza e Leonardo V. Aborda questões sobre juventude, saúde, feminismo, agroecologia, antirracismo, trabalho digno, cultura e lazer, história e política.

Zonas de sacrifício, tornado no Paraná e COP30

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Rio Bonito do Iguaçu foi cidade mais afetada pelo tornado de nível F3, conforme classificação do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) | Crédito: Diangela Menegazzi

a América Latina é a zona de sacrifício da crise do capitalismo, em seu estágio imperialista

Enquanto o mundo está voltado para a COP30 (Conferência das Partes), Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, foi atingida por um tornado no último final de semana, deixando 90% de suas estruturas abaixo, 7 mortes e 750 pessoas feridas, em uma cidade de apenas 15 mil habitantes.

A COP30 é o órgão supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que deveria servir para avançar na luta contra as mudanças climáticas, se torna cada vez mais uma feira de negócios para o capitalismo verde que mantém as relações de poder energético entre o Norte e o Sul.

Chega ser contraditório pensar que, ao mesmo tempo que acontece um dos mais famosos eventos sobre o clima no mundo, o mesmo país que recebe o encontro, sofre os efeitos das decisões climáticas daqueles que estão apertando as mãos e fechando negócios em Belém. Isso se dá por um motivo central: é a América Latina a zona de sacrifício da crise do capitalismo, em seu estágio imperialista.

O imperialismo norte-americano, ao ver sua decadência na medida que se consolida um mundo multipolar, protagonizado pela China, intensifica a superexploração do trabalho humano e da natureza. O território pelo qual essa intensificação da exploração se dá é seu “quintal”, a América Latina, nuestra Patria Grande, como dizia Bolívar.

Essa relação em nosso continente se expressa pela extração máxima de nossas matérias-primas, inclusive para financiar a transição energética que se negocia na COP, como é o caso do lítio para produzir as baterias dos carros elétricos.

Essa espoliação da natureza e da força de trabalho, ao extrair seu máximo gerando a degradação do meio ambiente, nos expõe a novos desastres climáticos. Isso é o que caracteriza em linhas gerais o que são zonas de sacrifício.

Ao mesmo tempo que este cenário se estabelece, os povos da floresta, do campo e da cidade, movimentos sociais e entidades representativas da sociedade civil apresentam outra resposta: a solidariedade ativa e as tecnologias populares.

É com base neste princípio de solidariedade que seguimos em resistência e luta, em Rio Bonito do Iguaçu. Logo depois do desastre, já foram montadas duas cozinhas solidárias, mutirões para cobrir casas destelhadas, trabalhos de limpeza, reconstrução e campanhas de arrecadação seguem sendo auto-organizadas.

Assim, a partir do exemplo prático, apresentamos a organização popular como única a saída para superar o modelo de produção capitalista, que degrada o sistema mundo em todas as dimensões, desde o clima até as relações sociais. Sabemos que só haverá justiça ambiental se superarmos o capitalismo e construirmos uma sociedade baseada na cooperação e no cuidado com o planeta. Precisamos retomar a compreensão coletiva, de que não somo inquilinos, mas parte do planeta terra.

*Ana Carolina Keil é militante do Levante Popular da Juventude e mestranda em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe.
**Fernan Silva, artista, cientista social e militante do Levante Popular da Juventude.

***Este é um artigo de opinião. A visão destes autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Redação
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