Coluna das Inclusivass

O Movimento Feminista Inclusivass surge de uma articulação propiciada pelo 1° Seminário Mulheres com Deficiência e Políticas Públicas, realizado em março de 2014 em Porto Alegre (RS) Ao seu final, as ativistas e lideranças decidem buscar formas autônomas de construir e implementar ações. As inclusivass lutam pelo empoderamento e defesa dos direitos humanos e a cidadania.

8M: voz e resistência das mulheres com deficiência no estado

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Dados de 2025 indicam que, das mais de 52 mil ocorrências de violência contra a mulher, 80 resultaram em feminicídio e 264 foram tentativas
Dados de 2025 indicam que, das mais de 52 mil ocorrências de violência contra a mulher, 80 resultaram em feminicídio e 264 foram tentativas | Crédito: Jorge Leão

Muitas de nós nos tornamos mulheres com deficiência após sobreviver a tentativas de feminicídio

Neste 8 de Março, o tema que ecoa nas ruas fala da defesa da vida, do combate ao feminicídio, da igualdade salarial e da defesa da democracia e da soberania. No entanto, para muitas mulheres com deficiência, estar nas ruas para fortalecer esse grito ainda não é possível.

Muitas de nós não teremos como ocupar as marchas, atos e manifestações, e também não seremos lembradas nas falas, rodas, gritos e barulhos que marcam este dia de luta. Ainda seguimos invisibilizadas dentro do próprio movimento social, como se a nossa ausência fosse natural.

É preciso estar para sermos incluídas como se fosse algo simples estar nas ruas. Mas a realidade mostra o contrário. A falta de acessibilidade começa no portão de casa e se estende pela cidade. O transporte público, especialmente aos finais de semana, deixa pessoas para trás. As calçadas são intransitáveis, os espaços de encontro não são acessíveis, os eventos não têm intérprete de Libras, audiodescrição ou estrutura que considere a diversidade de corpos e necessidades.

Neste ano, o 8M acontece em um domingo, e isso também revela outra realidade pouco falada: muitas mulheres com deficiência são mães solo e não têm rede de apoio para poder sair de casa e participar das manifestações. O cuidado, que já recai de forma desigual sobre as mulheres, se torna ainda mais pesado quando atravessado pela deficiência, pela falta de políticas públicas e pela ausência de suporte comunitário.

Diante disso, deixamos a pergunta: como estar se ainda não somos incluídas?

A defesa da vida precisa ser plural. O combate ao feminicídio precisa ser interseccional. Muitas de nós nos tornamos mulheres com deficiência após sobreviver a tentativas de feminicídio. Outras tantas vivem em situação de violência permanente. Ainda assim, os dados pouco nos enxergam, os registros não nos identificam e as políticas públicas seguem nos silenciando.

Como falar em igualdade salarial se apenas 0,1% das pessoas com deficiência estão inseridas no mercado de trabalho formal, e sequer existem dados consistentes que cruzem deficiência e gênero? Como falar em democracia e soberania se uma parcela significativa das mulheres continua impedida de participar plenamente da vida pública, social e política?

A democracia só é real quando todas podem participar. A luta feminista só é completa quando ninguém fica para trás.

São muitos os obstáculos que tentam silenciar ou limitar nossos gritos neste espaço. Ainda assim, seguimos. Enquanto movimento, continuaremos lutando e resistindo por todas nós.

Porque neste bonde das Inclusivass, nenhuma fica para trás.

*Carol Santos  é ativista feminista, sobrevivente de tentativa de feminicídio e faz parte do Movimento Feminista Inclusivass.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Katia Marko

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