Consciência Pachamama

A ONG Pachamama é um coletivo de sonhadores que caminham semeando e despertando consciências às maravilhas deste lar, a la Madre Tierra, Pachamama. Levam os ares latinos, originários como um tom de serviço à Vida, cuidando de Pachamama baseados pelos princípios do Bem Viver e trabalhando para uma integração humana, ligada aos pilares da vida, seja ela ecológica, social e humana. Desde 2012, vem trabalhando no sentido de reforçar a qualidade de vida, a dignidade e a valorização da cultura e da tradição da Nação Q’eros, um povo que vive nos altos picos da Cordilheira dos Andes, no Peru, de forma a fomentar a soberania econômica, alimentar e política deste povo.

Os Q’eros são descendentes de uma legítima linhagem Inca, um coração vivo e originário deste continente. Ainda hoje falam o Q’echua e mantém a tradição do culto à Pachamama – Mãe Terra, e aos Apus (espírito das montanhas). São camponeses, pastores, que guardam o amor, o respeito e a comunicação com a terra, ou seja, trazem consigo o Sumak Kausay, o Bem Viver, a dimensão do Ayni (reciprocidade com a vida), e o Ayllu (compreensão da vida coletiva e em comunidade). O Q’echua, idioma da Nação Q’eros é uma das importantes línguas originária dos Andes. Falado por indígenas da América do Sul, principalmente na Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e Peru, foi morrendo ao longo da colonização europeia em nosso continente.

Interser: O ensinamento que vem dos antigos abuelos e abuelas andinas

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A geleira Perito Moreno, na Patagônia, é uma das mais imponentes e já foi chamada de a “oitava maravilha do mundo” | Crédito: Foto: Nacion Pachamama

Ao sair de idolatrar o universo psicológico, nos preparamos para o encontro REAL, com Pachamama

Ao longo da história da América, desde o Alaska até a Terra do Fogo, se escondem práticas valiosas, poéticas e misteriosas que a humanidade perdeu porque essa cultura foi menosprezada pelos que chegaram nos séculos da conquista.

O pensamento que fala dentro de nós não provém da percepção, é uma reação mecânica. Entretanto, a percepção ocorre em outro nível, não pessoal nem influenciada pelos estímulos do inconsciente nem da memória.

A consciência dá luz à percepção, à luz da atenção.

Os seres humanos podem pensar e perceber. Em nosso universo energético somos preceptores, mas estamos tão entregues à tagarelice do pensamento e emoções que não conectamos com as possibilidades de perceber.

Isso não é casual, o ego, essa identidade psicológica com que nos defendemos do fluxo silencioso e fresco da Vida, tem como fundamento o pensar em palavras, a descrição interna de nós mesmos, pondo categorias às emoções e aos fatos. Nos contamos a vida a nós mesmos e assim criamos realidades que nos aprisionam.

É por isto que os antigos abuelos e abuelas andinas, mexicas, tehuelches, aymaras, guaranis, etc., compreenderam a necessidade de retornar à Casa, ao silêncio consciente e sensível, e liberar-nos do peso dessa conversa caótica.

Quase não nos damos conta da diferença entre pensar e perceber, até o ponto que a percepção segue o pensamento, como projeção do pensamento ou emoção. Construindo realidades, que não são reais.

A percepção ocorre quando há uma suspensão do apego ao pensamento e as emoções superficiais. É surpreendente que existe neste instante um fluxo REAL, que não é imaginário, senão beleza e apreensão que surge no REAL da percepção.

Isso ocorre, se revela, quando nos vinculamos desde uma consciência com a atenção desperta, a este espaço sem o véu dos pensamentos, percebendo um agora real, que é poder e é liberdade.

Esta recuperação perceptual ocorre desde o silêncio interno desperto, que se vincula com o Real, com Pachamama.

Chamamos este Interser: Consciência Pachamama.

Ao sair de idolatrar o universo psicológico – em que nos criaram e se manifesta em pensamentos, diálogos internos, emoções surgidas da cultura, etc, – nos preparamos para o encontro REAL, com Pachamama.

Há algo denso, unido, sentado no fundo do silêncio, cantando em seu fino idioma sem palavras, é sonho cósmico de geografias unidas a criaturas e a anjos de terra e sol, neste encontro amoroso entre a consciência silenciosa e sua predileção: Consciência Pachamama.

Vivemos nesse Jardim em uma substância saborosa, viva, de cor comum, silenciosa como a velha mãe que É, viajamos pelos dias na doce e sonora nutrição fiel do silencioso amor de Pachamama.

* Mestres Andinos

** Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Katia Marko

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