… e aqui, sobre o telhado,
chova ou não chova…
o Silêncio da Primavera.
Tirar o lixo e as ervas daninhas é fundamentalmente desalojar da consciência os velhos mecanismos do ego (a dimensão interna que não nos permite expandir e viver nosso ser em plenitude).
Também é necessário estar atento a não nos deixar invadir e dominar pelo sistema emocional-mental programado e rotineiro, e adquirir a consciência desperta, necessária para deixar que as belas qualidades e cantos da Alma floresçam.
A preparação para o Equinócio de Primavera é fazer espaço para que o Desejo Essencial possa ser escutado e receba a redentora visita do Desejo de Dar o Amor e a Luz Infinita.
Para isso, deveremos trabalhar todos os níveis de consciência, me refiro aos três níveis do Ser que, na percepção andina, se chamam Ukuh Pacha, Kay Pacha e Hanah Pacha, e em nossa cultura os conhecemos por: consciente, inconsciente e supraconsciente.
Então, neste trabalho de transformação e de consciência de unidade para receber o equinócio, te propomos um trabalho inclusivo dos três aspectos simultaneamente:
Uhuk Pacha (o inconsciente)

Observar e compreender os mecanismos do inconsciente e suas expressões emocionais-mentais e não deixar que sigam criando caos, e pôr a Luz da Atenção consciente, viver apoiados no Presente, recebendo a Presença no Sutil Jogo que Ela coloca no que É.
Sua visita está sempre presente, mas a consciência deve estar em uma condição desperta, receptiva e fundida, em ressonância com o que chega; assim chega esse total bem-estar que traz a Consciência da Unidade entre o que recebe e o que dá, entre plenitude e vazio, entre o Alento que traz e o que se dá.
Este trabalho é duro e permite que brote o que está afogado pelo caos, o lixo emocional e as ilusórias formas mentais que cultivamos com esmero como se fôssemos nós mesmos.
Kay Pacha (o trabalho consciente)

Diariamente, caminhamos por velhos caminhos, no cérebro e nos hábitos e, quando nos damos conta, não encontramos saídas desta prisão e nos desanimamos. Ao começar a aprender a retirar a atenção destes caminhos inferiores e instintivos, somos torpes e parece que não se vai conseguir grande coisa. Da mesma forma que quando começamos a estudar violino, passamos meses até tirar um acorde harmonioso e que o ouvido o reconheça.
Então temos que ter sempre diante da atenção consciente o propósito: “Desejo, quero com todo, todo o meu SER, sair dos velhos ritmos, dos caminhos caóticos inferiores e deixar espaço para o amplo e belo encontro, desejo-o, quero-o com todo meu Ser.”
Ao saber o que queres, persistes, segues praticando. E se somas a esta clara Intenção o afeto de teu Amplo Coração, em breve começarás a Desfrutar. E o trabalho para nos desfazer dos velhos caminhos do passado, que vêm desde nossos avós das cavernas, a princípio pode ser árido, seco, entediante, porque se trata de abrandar o “rígido” e educar a consciência a se situar na perspectiva elevada e sincronizada com a Alma e lhe ensinar a não aceitar as percepções de realidade falsa e descobrir a liberdade de ser, que ocorre na recepção de coração aberto e lúcido do que chega trazendo a dádiva infinita ao finito.
Quando só tiverem passado uns dias, o treinamento destas duas possibilidades até resulta divertido. Pela primeira vez, os sentidos se refrescam e a surpresa e admiração afetiva voltam à percepção. Tudo é mais brilhante e camadas de encanto te visitam em dança com o que chega.
Hanak Pacha (a supraconsciência)

Neste treinamento diário, não se esqueça de incluir Pachamama e seus seres sábios. Ela ajuda muito através da energia especial para este trabalho, e também o Reino dos Céus, a supraconsciência, o Infinito Divino e seus anjos; se os incluis e invocas, te ajudarão no treinamento regalando a alegria de estar fazendo pela primeira vez e não-fazendo pela primeira vez. Avancemos unidos aos Mestres Andinos e à Pachamama, que une e permeia de fluxo vital todo o Universo sob a única Lei do Amor.
Com essa jardinaria íntima do nosso Ser, sentiremos o advento do equinócio como um canto gregoriano de fundo, unido à melodia do vento, dos pássaros, onde brota uma nota que, enquanto vibra, cresce e recebe tudo. Se amplia, e por uns instantes emudece o ego e, num abrir e fechar de olhos, despido de tudo, em cada suave alento floresce o esplendor da totalidade.
Mas esse florescimento pede preparo. E nós, os andinos, nos preparamos em comunidade para florescer com Pachamama na primavera através de práticas simples e com força coletiva, junto a praticantes ao redor de todo o mundo. Um caminho de poesia, silêncio e desintoxicação que nos leva a abrir o coração à nova estação.
Quer conhecer essa prática andina de preparação ao Equinócio da Primavera, acesse aqui.
* Mestres Andinos
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.