Por Aline Choucair Vaz e Juliana Naves Diniz
Quando se ouve falar em Educação em Direitos Humanos (EDH) pela primeira vez, é possível imaginar que se trata apenas de desvendar artigos de leis e declarações internacionais sobre o tema. Que engano. Educar em direitos humanos é um compromisso ético com a formação de sujeitos autônomos e cidadãos críticos. Para professoras e professores, essa formação vai além do sentido puramente acadêmico: trata-se, antes, de uma ferramenta política de transformação social.
A Educação em Direitos Humanos não é, portanto, só mais um conteúdo ou disciplina a ser inserida no currículo das escolas e nos cursos universitários de formação docente. A EDH tem o compromisso de formar pessoas que entendam “respeito” não como palavra vazia, e que “lugar de fala” é princípio básico de convivência. É perceber que, assim como toda boa aula precisa de planejamento e também de improviso, de adaptação ao contexto, a educação sem direitos humanos perde o seu sentido mais profundo.
Da teoria à prática
Formação em direitos humanos não é para decorar leis. É para desconstruir aquela herança autoritária que às vezes aparece sem percebermos. Quem nunca ouviu (ou quase disse) “no meu tempo era diferente”? A EDH nos ajuda a refletir: será que o “jeitinho autoritário” não é como aquela mania de guardar coisas que não usamos mais? Aquilo que a gente repete sem questionar?
As metodologias participativas são como uma boa roda de conversa: todo mundo tem vez e o silêncio também tem valor. Quando criamos espaços de diálogo na sala de aula, as histórias se entrelaçam e o aprendizado se torna coletivo.
O desafio de fazer direito sem virar “mais uma” tarefa
Temos o desafio de fazer com que a EDH não seja como aqueles projetos que começam com entusiasmo e depois caem no esquecimento. Não pode ser só disciplina optativa, daquelas que poucos escolhem. Precisa ser como o ar que respiramos na escola: estar em tudo, impregnar todas as relações.
A criação de núcleos permanentes de Educação em Direitos Humanos nas universidades é como ter um farol: ilumina o caminho entre a teoria e a ação concreta na comunidade.
Neste tempo de tantos discursos prontos e verdades absolutas, tempos de avanço conservador, formar professores na perspectiva dos direitos humanos exige coragem para questionar o estabelecido e ousadia para imaginar outros futuros possíveis. É entender que, antes de formar profissionais para o mercado, estamos formando seres humanos capazes de transformar realidades.
E, no fim das contas, educar em direitos humanos é assumir que a educação não é neutra, como já disse Paulo Freire. Ou se está do lado da dignidade humana ou se está contra ela. Educar para direitos humanos nos convida a uma educação das sensibilidades, do sensível, das experiências ricas de afeto e entrelaçamento.
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Juliana Naves Diniz é mestranda em Educação e Formação Humana (UEMG), graduanda em Pedagogia (UEMG) e advogada (OAB/MG).
Aline Choucair Vaz é professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e vice-coordenadora da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos (ReBEDH-MG).
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Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no jornal Brasil de Fato
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Este é um artigo de opinião. A visão das autoras não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

