No dia 10 de dezembro, é comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesta data, em 1948, foi proclamada pela Assembleia Geral da ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
É verdade que estamos em um momento em que há uma significativa distorção sobre a natureza desses direitos e, especialmente, sobre seu papel de proteger as pessoas que estão em situação de maior vulnerabilidade na sociedade.
Para que nossas discussões estejam alinhadas com os desafios do mundo atual, é fundamental pensarmos sobre assuntos atuais que permeiam a educação em direitos humanos e as diversidades, particularmente no que diz respeito à comunicação pela mídia.
Comemorar os direitos humanos na atualidade tecnológica e nas plataformas digitais implica em proteger e promover direitos fundamentais no espaço digital, por meio de legislações e políticas que assegurem a inclusão digital, acesso igualitário, liberdade de expressão. Isso também envolve lidar com a proteção da privacidade, a segurança de dados, a propagação de informações falsas e o combate a conteúdos ilegais e abusivos.
Mídias e direitos humanos
Vivemos em uma época em que quase tudo é mediado pelas mídias, desde as conversas informais até a forma como aprendemos, nos divertimos e fazemos escolhas, o que transforma significativamente as relações sociais, os processos de ensino e aprendizagem e a construção do conhecimento.
Os algoritmos de plataformas digitais tendem a priorizar conteúdos que reforçam as crenças dos usuários, gerando câmaras de eco que intensificam preconceitos e dificultam o acesso a informações diversificadas. Informações falsas ou alteradas são espalhadas com o objetivo de manipular opiniões e fomentar divisões sociais.
Precisamos estar constantemente vigilantes quanto à veracidade dos fatos, avaliando se a mensagem veiculada respeita os direitos humanos e a diversidade ou, ao contrário, busca fortalecer posições reacionárias que se opõem a qualquer esforço para reconhecer e garantir que os direitos humanos e as diversidades sejam respeitadas.
A importância da educação midiática
Crianças, adolescentes e idosos são as maiores vítimas de campanhas de desinformação e acabam se expondo a riscos muitas vezes por não terem sido incentivados a checar a origem das informações. Isso os leva a compartilhar conteúdos de maneira menos sustentável, saudável e adequada. Quando as informações são verificadas e consideradas confiáveis, é possível compartilhar conteúdos que refletem a realidade de forma mais responsável.
A educação midiática capacita as pessoas a lerem o mundo, interpretarem mensagens, reconhecerem riscos e se expressarem de forma ética, segura e criativa, desenvolvendo competências para participar ativamente e de maneira crítica no mundo digital, promovendo assim uma cidadania ativa.
Não basta ler e escrever palavras, é preciso também aprender a ler e interpretar criticamente o ambiente midiático e digital que nos cerca. Além de saber decodificar informações, é preciso saber interpretá-las, questioná-las e compreender os interesses por trás de sua produção e circulação, seu impacto social, cultural, político e econômico.
É fundamental entender quem se beneficia e quem é prejudicado quando uma informação, seja em texto ou imagem, é divulgada nas redes sociais e se torna viral, especialmente quando somos utilizados como disseminadores dessas informações para que alguém lucre com isso. Devemos consumir informações de forma crítica, evitando sermos apenas peças de um jogo de tabuleiro.
Deusiane Silva dos Santos Reis é psicóloga, supervisora de formação em direitos humanos na Prefeitura de Juiz de Fora e integra a Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Coordenação Minas Gerais. Email: [email protected]
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Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no jornal Brasil de Fato
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Este é um artigo de opinião, a visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal

