Há quantos anos não lutamos por reconhecimento e inclusão? Sabemos que a nossa história é marcada por grandes desafios, perseguições – como o caso da Alemanha nazista – e conquistas perante as democracias liberais, que têm incorporado a identidade queer às relações de reprodução do capital, embora mantendo sempre a ameaça de retrocessos, especialmente quando a extrema direita se articula tão fortemente.
A Parada da Diversidade, nesse contexto, tornou-se um marco na luta por direitos. Mais que uma festa, trata-se de uma reafirmação da existência de nossas individualidades, de sua legitimidade e da necessária vigilância na luta por direitos.
Não obstante uma parcela de nossa população ter sido incorporada às relações formais de trabalho e ao mundo do consumo, ainda falta a ampliação dessa inclusão social a muitas pessoas da comunidade, em especial às pessoas trans, vítimas de toda sorte de perseguição e que ainda lutam pelo direito de utilizar o banheiro correspondente à identidade de gênero. Como não se solidarizar com a luta de nossas companheiras e companheiros?
Assim, a participação na próxima Parada LGBTQIAPN+, convocada para o dia 30 de agosto na praia de Cabo Branco, em João Pessoa, é uma oportunidade de demonstrarmos que a nossa sociedade, apesar de todos os problemas, não é formada apenas por pessoas homotransfóbicas. Há muita gente nessa luta por respeito e por dignidade! Gente que acredita na dignidade da pessoa humana.
Isso porque estamos em profunda disputa no campo das ideias. Enquanto uma parte da população LGBTQIAPN+ é seduzida pelos ares conservadores de nosso tempo, outra parcela segue fiel à contracultura, pois compreende que a perfeita adequação a um mundo tão adoecido somente pode ser sinal de problema… É preciso mudança da realidade antes de adequar-se a ela. Os últimos entenderam que as normas de conduta sexual, quando marcadas pelo moralismo, costumam servir para estigmatizar pessoas e reduzi-las à marginalização social.
Somos complexos demais para fórmulas prontas sobre o desejo. A psiquiatria estadunidense, por exemplo, compreendeu isso quando retirou a homossexualidade da categoria de doença, na década de 70. Mais de uma década depois a Organização Mundial de Saúde (OMS) seguiu caminho semelhante.
Diante disso, a participação na 25ª Parada da Diversidade de João Pessoa, dia 30 de Agosto, na praia de Cabo Branco, representa uma atitude política em defesa do que nossa população conquistou e também um ato de enfrentamento ao avanço da extrema direita e seu moralismo estúpido, que tem perseguido especialmente as pessoas trans. É hora de estabelecermos uma grande frente democrática: nenhum direito a menos… Não vamos retroceder.
*Felipe Candeia é graduando em direito pela UFPB, voluntário na Coordenadoria de Execução Penal (DPE-PB) e estagiário bolsista da Procuradoria Federal/UFPB.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

