Felipe Candeia

Um convite à reflexão sobre os problemas sociais, sob uma perspectiva da classe trabalhadora e para a classe trabalhadora, sem pretensão de encerrar qualquer debate, tendo em vista a promoção da circulação das ideias em defesa da soberania popular.

Felipe Candeia é graduando em direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Foi monitor bolsista de Ciência Política e bolsista do projeto de extensão Paradoxos da Liberdade de Expressão. Atualmente é voluntário na Coordenadoria de Execução Penal (DPE-PB) e estagiário bolsista da Procuradoria Federal/UFPB.

A Parada LGBTQIAPN+ e a atualidade de sua importância

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‘Há muita gente nessa luta por respeito e por dignidade’, afirma Felipe Candeia | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A participação na 25ª Parada da Diversidade de João Pessoa, dia 30 de Agosto, representa uma atitude política em defesa do que nossa população conquistou

Há quantos anos não lutamos por reconhecimento e inclusão? Sabemos que a nossa história é marcada por grandes desafios, perseguições – como o caso da Alemanha nazista – e conquistas perante as democracias liberais, que têm incorporado a identidade queer às relações de reprodução do capital, embora mantendo sempre a ameaça de retrocessos, especialmente quando a extrema direita se articula tão fortemente.

A Parada da Diversidade, nesse contexto, tornou-se um marco na luta por direitos. Mais que uma festa, trata-se de uma reafirmação da existência de nossas individualidades, de sua legitimidade e da necessária vigilância na luta por direitos.

Não obstante uma parcela de nossa população ter sido incorporada às relações formais de trabalho e ao mundo do consumo, ainda falta a ampliação dessa inclusão social a muitas pessoas da comunidade, em especial às pessoas trans, vítimas de toda sorte de perseguição e que ainda lutam pelo direito de utilizar o banheiro correspondente à identidade de gênero. Como não se solidarizar com a luta de nossas companheiras e companheiros?

Assim, a participação na próxima Parada LGBTQIAPN+, convocada para o dia 30 de agosto na praia de Cabo Branco, em João Pessoa, é uma oportunidade de demonstrarmos que a nossa sociedade, apesar de todos os problemas, não é formada apenas por pessoas homotransfóbicas. Há muita gente nessa luta por respeito e por dignidade! Gente que acredita na dignidade da pessoa humana.

Isso porque estamos em profunda disputa no campo das ideias. Enquanto uma parte da população LGBTQIAPN+ é seduzida pelos ares conservadores de nosso tempo, outra parcela segue fiel à contracultura, pois compreende que a perfeita adequação a um mundo tão adoecido somente pode ser sinal de problema… É preciso mudança da realidade antes de adequar-se a ela. Os últimos entenderam que as normas de conduta sexual, quando marcadas pelo moralismo, costumam servir para estigmatizar pessoas e reduzi-las à marginalização social.

Somos complexos demais para fórmulas prontas sobre o desejo. A psiquiatria estadunidense, por exemplo, compreendeu isso quando retirou a homossexualidade da categoria de doença, na década de 70. Mais de uma década depois a Organização Mundial de Saúde (OMS) seguiu caminho semelhante.

Diante disso, a participação na 25ª Parada da Diversidade de João Pessoa, dia 30 de Agosto, na praia de Cabo Branco, representa uma atitude política em defesa do que nossa população conquistou e também um ato de enfrentamento ao avanço da extrema direita e seu moralismo estúpido, que tem perseguido especialmente as pessoas trans. É hora de estabelecermos uma grande frente democrática: nenhum direito a menos… Não vamos retroceder.

*Felipe Candeia é graduando em direito pela UFPB, voluntário na Coordenadoria de Execução Penal (DPE-PB) e estagiário bolsista da Procuradoria Federal/UFPB.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Carolina Ferreira

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