O 15 de outubro é o Dia do Professor e da Professora — uma das profissões mais importantes da nossa sociedade. Contudo, esse reconhecimento tem sido cada vez mais esquecido. A docência vem sofrendo com a desvalorização ao longo dos últimos anos: baixos salários, condições de trabalho precárias e pouca atratividade da carreira têm sinalizado o risco de um verdadeiro “apagão de professores” nos próximos anos.
Segundo a Constituição Federal, o ingresso na carreira docente em redes públicas de educação básica deve ocorrer exclusivamente por meio de concurso público. No entanto, essa regra vem sendo sistematicamente desrespeitada por estados e municípios brasileiros, que contratam de forma precária professores e professoras, sem garantia de estabilidade nem dos direitos assegurados aos servidores efetivos.
Na última década, o número de docentes contratados ultrapassou o de efetivos no Brasil — um dado que reforça a fragilidade do reconhecimento social desses profissionais, frequentemente responsabilizados pelo baixo desempenho educacional dos alunos.
Esse cenário tem resultado em grande desgaste físico e psíquico. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) classifica a docência como uma das profissões mais estressantes do mundo — e, nos últimos anos, essa realidade se agravou diante das condições precárias e dos desafios enfrentados, especialmente durante a pandemia da covid-19. Entre 2020 e 2024, assistimos a um aumento expressivo e contínuo nos afastamentos e licenças médicas de professores, o que impacta diretamente o funcionamento das escolas. Sem condições adequadas de trabalho e sem remuneração digna, não há como garantir uma educação de qualidade.
É importante destacar que, no Brasil, a contratação de professores é responsabilidade principal dos estados e municípios — por isso, não se trata de um problema simples de resolver. Ainda assim, o governo do presidente Lula tem implementado políticas fundamentais para reverter esse quadro.
Por meio do Programa Mais Professores, busca-se fortalecer a formação docente e incentivar o ingresso de novos profissionais na rede pública, com medidas como o Pé-de-Meia Licenciaturas e a Bolsa Mais Professores, que estimulam a atuação em regiões e áreas do conhecimento com carência de docentes.
Mas nenhuma política pública será suficiente se a educação continuar sendo tratada como gasto e não como investimento. Valorizar o professor é enfrentar o projeto de desmonte da educação pública que marcou os últimos anos. É compreender que não há país soberano sem escola pública forte, sem carreira estruturada, sem salário digno e sem respeito àqueles que sustentam o futuro com o seu trabalho. Neste 15 de outubro, mais do que homenagens, é preciso reafirmar a luta por condições reais de valorização docente — porque defender o professor é defender o Brasil.
Gleide Andrade é Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT)
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