Gleide Andrade

Gleide Andrade é Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do PT

COP30: Amazônia no centro da política e do futuro

No audio source provided.
Brasil sedia a COP 30, em Belém, e toma a liderança nos esforços para mitigar as mudanças climáticas | Crédito: Antônio Scorza/COP 30

Quem lucrou com a destruição tem obrigação de pagar pela transição justa

A COP30 começa com uma mensagem clara: é hora de substituir promessas vagas por soluções reais. O Brasil chega a Belém com credenciais políticas e morais que foram reconstruídas pela ação direta do governo Lula.

Em menos de dois anos, a redução drástica do desmatamento na Amazônia devolveu ao país a credibilidade ambiental perdida. O Fundo Amazônia foi retomado, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram fortalecidos, e o diálogo entre governo federal, governadores, prefeitos, movimentos socioambientais e povos indígenas foi restabelecido. Essa reconstrução tem autoria e método: política pública com prioridade e comando.

Mas é preciso reconhecer que só preservar não basta. O desafio da COP30 exige olhar para a Amazônia não apenas como bioma ameaçado, mas como laboratório vivo de futuro.

O Brasil chega com propostas concretas: a expansão da bioeconomia baseada no conhecimento dos povos da floresta; a transição energética centrada em renováveis; a reindustrialização verde; e a ampliação do Programa de Transformação Ecológica. São caminhos que demonstram que desenvolvimento e responsabilidade ambiental não são opostos — são faces da mesma estratégia.

A realização da COP30 no Brasil não é gesto diplomático. É uma escolha política deliberada: colocar a Amazônia — seu povo, sua cultura, sua diversidade — no centro das decisões globais.

Ao afirmar que a Amazônia será o palco das soluções, o país diz que a agenda climática não é apenas sobre carbono. É sobre vidas. Sobre povos originários que há milênios protegem a floresta. Sobre comunidades tradicionais e ribeirinhas. Sobre periferias urbanas que sentem no corpo os impactos da crise climática: enchentes, ondas de calor extremo, insegurança alimentar. É sobre gênero, raça, território e desigualdade — dimensões que raramente chegam ao centro das negociações internacionais.

Enfrentar a mudança do clima é enfrentar a desigualdade

Não há separação entre clima e pobreza, clima e raça, clima e gênero, clima e território. A crise climática aprofunda injustiças e atinge primeiro — e mais duramente — quem vive à margem. Por isso, o governo Lula recoloca o ser humano no centro da política ambiental: porque não há transição justa sem reconhecer e enfrentar as estruturas que historicamente excluíram milhões de brasileiros e brasileiras.

Nesse contexto, o Brasil apresenta uma iniciativa que muda o patamar da discussão global: o Tropical Forests Forever Facility. Com compromisso inicial brasileiro de US$ 1 bilhão e mais de US$ 5,5 bilhões já mobilizados, o mecanismo tem meta de alcançar US$ 125 bilhões. A lógica é simples e incontestável: quem preserva precisa ser financiado; quem lucrou historicamente com a destruição tem obrigação de pagar pela transição justa. Não é caridade. É reparação histórica.

Esse é o diferencial da nossa posição nesta COP: não há clima sem justiça. A crise climática é atravessada por desigualdades profundas, e enfrentá-la exige reconhecer que países desenvolvidos têm responsabilidades mútuas e intransferíveis.

Eles precisam cumprir o que prometem, transferir tecnologia e garantir recursos reais — não apenas anúncios — para que o Sul Global faça a transição sem sacrificar seu povo. A COP30 será o espaço para cobrar responsabilidades e apresentar alternativas que conciliem preservação, emprego, renda e soberania.

Ao longo de 2024 e 2025, o Brasil demonstrou que virar a página é possível. A COP30 é o momento de consolidar essa virada histórica: trazer a desigualdade para o núcleo da agenda climática e mostrar ao mundo que não existe clima sem gente.

O Brasil volta a ocupar seu lugar: protagonista na defesa da vida, da floresta e da dignidade humana.

Gleide Andrade é Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT).

Leia outros artigos de Gleide Andrade em sua coluna no Brasil de Fato.

Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Elis Almeida

|

Newsletter